Desde o nascimento, a pequena Serena, hoje com 2 anos, precisou ser forte como uma verdadeira guerreira.

Nascida prematura (26 semanas de gestação) com apenas 465 gramas, a menina desenvolveu uma lista gigantesca de intercorrências: sepse, anemia profunda, hemorragia intracraniana, entre outras complicações clínicas que desafiavam seu prognóstico.

Em meio à essa dura realidade, a mãe de Serena, Tatiane de Oliveira Procópio, 39 anos, batalhou exaustivamente pela filha, mesmo com todos ao seu redor dizendo que a bebê não sobreviveria.

A menina foi a segunda criança nascida prematura de Tatiane, que em 2018 viu seu pequeno Heitor Emanuel nascer com 400 gramas e 27 semanas. Infelizmente, ele faleceu 13 dias após o parto.

Logo, perder Serena seria demais para a mãe suportar.

A nova gestação da mãe (que já tinha dois filhos, para além de Serena e do falecido Heitor) foi um desafio: a pequena nasceu em dezembro com 2019 com todos os desafios típicos da prematuridade extrema.

“A chegada da Serena me trouxe de volta a fé e a esperança. Por ela, lutarei enquanto eu viver”, disse a mãe na época.

Nesta semana, Tatiane publicou seu depoimento após dois anos de muita luta para preservar a saúde da filha. Confira abaixo:

“A gravidez da Serena foi planejada. Ela é um bebê arco-íris, que veio após uma perda neonatal em 2018. Foi muito emocionante o dia em que soube da gravidez. Chorei muito de alegria e medo ao mesmo tempo. No entanto, minha gestação foi conturbada desde o início. No primeiro ultrassom, eu já estava com descolamento de placenta [quando as ligações entre a placenta e o útero se rompem]. Fiquei de repouso e tomando medicamentos até 12 semanas. Usei desde o início injeções de anticoagulante, total de 230 injeções e mais várias outras medicações e vitaminas.

No dia 4 de dezembro de 2019, fui fazer o ultrassom de acompanhamento semanal que já vinha fazendo desde as 20 semanas. Porém, houve uma piora brusca do quadro da minha filha. Serena centralizou e precisava nascer. Fui internada para ver se daria tempo de tomar as doses de corticoide para ajudar o pulmãozinho dela e um outro medicamento de sulfato de magnésio para ajudar a proteger o cérebro. Fizemos os corticoides no dia 4 e outro no dia 5. Com monitoramento intensivo, os médicos decidiram que fariam o sulfato no dia 6, às 4 horas da manhã, e que Serena nasceria em seguida. Foi um parto muito complicado. O peso do último ultrassom estava estimado em 600 gramas, mas Serena nasceu com 465 gramas, 28,5 cm e com 26 semanas. Um caos! Eu também tenho um tipo de trombofilia e, embora meus marcadores sejam muito discretos, no meu organismo se torna extremamente grave.

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Ela nasceu empelicada, porém, só temos este registro no meu prontuário, pois o pai dela passou mal durante o parto e precisou sair da sala. Não temos registros fotográficos deste momento, mas até nisso, ela foi rara.

Na UTI, ela passou por muitas intercorrências. Teve necrose tubular dos rins, enterocolite necrosante (inflamação intestinal), sepse, anemia profunda, baixa de magnésio, hemorragia intracraniana grau 2, que gerou uma leucomalácia (um tipo de paralisia cerebral), doença nos ossos, que chama osteopenia, e retinopatia da prematuridade (problema na visão). Com todas essas intercorrências, ela acabou demorando bastante para começar a ganhar peso. Para falar a verdade, o peso ficou meio que em segundo plano. O foco era tentar resolver as intercorrências para que ela não morresse.

Uma adaptação difícil
Meu pós-parto foi bem complicado! Moro bem longe do hospital onde ela nasceu. Tive alta 7 dias após o parto, porque tive uma interação medicamentosa que me causou uma alergia imensa. Então, fiquei internada para acompanhamento médico. Com 10 dias do parto, já estava pegando metrô, porque era época de Natal e o trânsito estava terrível.

Após ficar 115 dias na UTI, Serena veio para casa com uma recusa alimentar que permanece até hoje. Ela tem um refluxo muito forte e, por isso, bastante dificuldade de ganhar peso. Ela também veio fazendo uso de oxigênio no cilindro. Usou por dois meses e consegui a desmamar.

Hoje, minha filha faz acompanhamento com diversos especialistas: neurologista, pneumopediatra, oftalmologista especializado em refração, gastro, endócrino pediatra, nutricionista, nutróloga, além das consultas com a pediatra. Ela ainda faz fono, terapia ocupacional, hidroterapia e fisioterapia.

Os cuidados ainda são muitos. Não podemos receber visitas por longa data. Serena dorme em berço inclinado devido ao refluxo, ela não frequenta creche pela baixa imunidade e extremo baixo peso até hoje, com apenas oito quilos.

Minha filha começou a andar com 1 ano e 9 meses. Fala “papai” e “mamãe” e é muito esperta. Adora dançar, interage com todo mundo, é simpática, sorridente e é a alegria da nossa vida. Em 2018, tive um bebê prematuro extremo, o Heitor Emanuel. Nasceu com 400 gramas e de 27 semanas. Viveu 13 dias e faleceu, levando parte de mim. A chegada da Serena me trouxe de volta a fé e a esperança. Por ela, lutarei enquanto eu viver.

Minha mensagem para as mães de prematuros é: tenham fé em Deus, não deixem que ninguém tire a esperança de vocês. Cantem para seus bebês, falem o quanto eles são amados, orem com eles e por eles e acreditem na garra que eles têm pela vida. Eu vi o milagre acontecer diante dos meus olhos. Todos diziam que minha filha não viveria, mas eu não me deixei abalar, permaneci acreditando e lutando por ela. Nós vencemos, vocês também vencerão!”.

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Fonte: Crescer

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