Seis anos atrás, a história de Jonas Manuel se tornou conhecida nacionalmente: na época, ele era um morador em situação de rua de São Paulo (SP) que oferecia serviços de carreto para juntar dinheiro visando reencontrar a família.

Contrariando todos os preconceitos – um mais injusto que o outro! – sofridos pelas pessoas sem-teto, Jonas trabalhava diariamente para sair da condição de desabrigado, derrubando um a um velhos estigmas, como: “Moradores de rua estão na situação em que estão porque querem!”, “São acomodados!”, “Se acostumaram a viver de doações!”.

Por anos, além dos serviços de carreto, ele catava recicláveis na Mooca, na zona sudeste de São Paulo. Já à noite fazia a segurança de uma padaria em troca de um abrigo para dormir.

Com essa renda, juntando de pouquinho em pouquinho e com muito suor, Jonas comprou sua Kombi. “É o que vai me trazer estabilidade e fazer eu me reerguer”, disse na época.

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Rotina como autônomo e trabalho voluntário

Hoje aos 58 anos, o autônomo do ramo de entregas divide o seu tempo entre os fretes de mudança e o trabalho de entrega de doações para o projeto “Entrega SP”, que leva comida a pessoas carentes na capital.

E lembra da Kombi que ele lutou muito para comprar? Pois é, ela foi roubada há três anos. Os criminosos desmontaram o veículo e vendeu suas peças no mercado ilegal.

Mas como há (muita) gente boa nesse mundo, Jonas não ficou desamparado: uma corrente do bem se formou em torno dele e, por meio de uma vaquinha, conseguiu comprar um modelo mais novo para Jonas – abrindo margem para expandir ainda mais seu trabalho.

Na Kombi, o autônomo leva alimentos, roupas e outros itens para pessoas em situação de rua e comunidades em situação de vulnerabilidade – uma realidade que ele conheceu na pele ao longo de mais de 20 anos.

Jonas deixou as ruas e conseguiu estabelecer residência fixa na Mooca há 4 anos. Desde então, vive com uma família no mesmo quintal de uma casa – cujos integrantes ele chama afetivamente de “netos”.

Quando ainda estava na condição de sem-teto, o autônomo recebeu ajuda de uma ONG que, mais tarde, seria peça-chave em sua nova vida.

“Na época, comecei a morar na Mooca catando papelão e o pessoal da ONG Entrega por SP me atendeu, o grupo tinha sido criado havia pouco tempo”, lembrou Jonas.

Em um desses encontros, ele conheceu o empreendedor Bruno Saraiva, 35 anos, voluntário do projeto, que o ajudou a embarcar no tratamento para abandonar seus vícios.

“Começaram [ONG] a ir lá, e eu peguei uma amizade sincera mesmo com o Bruno. Com o tempo, parei de beber, de usar droga e disse que iria comprar um carro. No começo, nem mesmo ele acreditou”, contou.

Vida nova

Com o desenrolar da reabilitação, Jonas foi abandonando os vícios pouco a pouco até ficar totalmente limpo. Essa nova realidade levou os comerciantes da região a confiarem mais no autônomo.

“Conheci o Jonas na época que ele começou a morar em uma padaria em frente ao meu trabalho e conversávamos todos os dias que eu saía do trabalho. Desde então, foi nascendo uma grande amizade. Ele dizia que ia comprar um carro e eu não acreditei, pois morava na rua, em uma padaria abandonada”, lembra Bruno.

“Mas o tempo foi passando, e o carrinho de feira que Jonas pegava papelão foi substituído por um de supermercado, até que, por fim, ele bateu um dia no vidro do meu trabalho e me chamou para ver algo do lado de fora: era um carro com caçamba, que ele tinha conseguido comprar com parcelas baixas”, completou.

Bruno ajudou o amigo na comunicação visual de seu negócio, fazendo faixas que anunciavam o serviço de frete, carretos para levar móveis de um ponto a outro e a recolha de material reciclável.

Com o sucesso do trabalho autônomo e livre da dependência química, Jonas foi contratado para trabalhar de forma auxiliando na logística das doações do Entrega SP.

“Agora trabalho com uma Kombi realizando coleta de cobertores, fogões, geladeira e outros itens para entregar para essas pessoas que estão vulneráveis e continuo o meu trabalho de reciclagem de papelão e mudanças”, concluiu.

Além de ser parceiro do Entrega SP, Jonas também participa do grupo DaRua, uma ramificação da primeira ONG, que atua na entrega de doações para pessoas em situação de rua na capital paulista.

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Fonte: Ecoa

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