Depois de perder o pai famoso ainda adolescente, ele levou anos para revelar algo importante à família (e ao mundo)

Christopher Landon cresceu cercado pela fama do pai, mas acabou construindo uma trajetória própria em Hollywood. Filho de Michael Landon, astro de séries como Bonanza, Os Pioneiros (Little House on the Prairie) e O Homem que Veio do Céu (Highway to Heaven), ele se tornou roteirista e diretor, com forte presença no cinema de terror. Antes de consolidar essa carreira, porém, enfrentou ainda adolescente a perda do pai e, anos mais tarde, tornou pública sua homossexualidade.

Christopher nasceu em 27 de fevereiro de 1975, em Los Angeles. Em 1991, quando tinha 16 anos, Michael Landon foi diagnosticado com câncer de pâncreas. O ator morreu em 1º de julho daquele ano, aos 54 anos, apenas alguns meses depois de descobrir a doença.

A notícia do diagnóstico ficou marcada na memória de Christopher. Segundo relatos publicados posteriormente sobre a família, ele havia acabado de receber uma boa nota em uma prova de inglês quando suas irmãs lhe contaram que o pai estava com câncer. Em entrevista concedida depois da morte de Michael, descreveu a intensidade daquele momento dizendo que sentiu como se todos os nervos de seu corpo estivessem acesos.

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A convivência com o pai e a perda precoce continuariam influenciando Christopher inclusive profissionalmente. Embora Michael Landon tenha ficado associado principalmente a produções familiares na televisão, Christopher contou anos depois que os dois costumavam assistir juntos a filmes de terror aos sábados. O gênero acabaria se tornando uma das principais marcas da carreira do filho.

A decisão de falar publicamente sobre sua sexualidade

Christopher tornou pública sua homossexualidade em 1999, aos 24 anos. Na época, já havia começado a trabalhar como roteirista e tinha entre seus primeiros créditos o drama Another Day in Paradise, lançado no ano anterior.

O processo de assumir sua orientação sexual, segundo relatos do próprio cineasta, veio acompanhado de receios relacionados à exposição pública. Ser filho de um dos rostos mais conhecidos da televisão americana fazia com que sua vida pessoal despertasse uma atenção que ele não havia escolhido.

Christopher também relatou ter sofrido ofensas homofóbicas durante o período escolar. Dentro da família, a conversa com sua mãe, Lynn Noe, foi particularmente delicada por causa das convicções religiosas dela. Com o passar do tempo, no entanto, ele encontrou apoio entre familiares e pessoas próximas.

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Havia ainda uma dúvida que Christopher jamais poderia esclarecer diretamente com Michael: como o pai teria reagido ao saber que ele era gay.

Anos depois, Cindy Landon, última esposa de Michael e madrasta de Christopher, contou que o ator aparentemente já desconfiava da orientação sexual do filho. Em entrevista à revista Out, Christopher recordou que Cindy lhe contou sobre conversas nas quais Michael dizia acreditar que ele fosse gay e que esperaria até que o próprio filho compreendesse isso em seu tempo. Christopher descreveu o pai como uma pessoa bastante liberal em suas convicções e afirmou acreditar que sua orientação sexual não teria provocado uma reação negativa.

Essa percepção ganhou importância para ele justamente porque Michael morreu oito anos antes de Christopher falar publicamente sobre o assunto.

Uma carreira construída longe da imagem do pai

Christopher preferiu trabalhar principalmente atrás das câmeras. Ao longo dos anos, tornou-se roteirista, produtor e diretor, especialmente ligado a suspenses e filmes de terror. Entre seus trabalhos estão Atividade Paranormal: Marcados pelo Mal, A Morte te Dá Parabéns, Freaky: No Corpo de um Assassino e Drop: Ameaça Anônima.

Em entrevistas, ele já explicou que a exposição decorrente da fama do pai contribuiu para sua falta de interesse em seguir exatamente o mesmo caminho como ator. Christopher cresceu sendo observado por causa de uma celebridade que havia escolhido aquela vida pública, enquanto os filhos simplesmente faziam parte dela.

Seu relacionamento com o terror, curiosamente, manteve uma ligação afetiva com Michael. Em 2007, Christopher contou ao The Advocate que os filmes assustadores faziam parte da relação entre os dois quando ele era criança e disse acreditar que o pai teria apreciado parte do trabalho que ele passou a realizar como cineasta.

Na vida pessoal, Christopher formou uma família com seu parceiro, Cody Morris. Os dois são pais de Beau e August. Assim, décadas depois de ter perdido Michael ainda na adolescência, ele passou a viver também a experiência da paternidade enquanto mantém uma carreira própria no cinema.

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Gabriel Pietro
Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.