Uma conversa entre Penélope Cruz e Olivia Wilde sobre as mudanças que acompanham a perimenopausa acabou chamando atenção para um sintoma que muita gente sequer associa a essa fase: dor e rigidez intensa no ombro. A repercussão foi suficiente para levar uma médica especializada em saúde feminina a esclarecer que, embora alguns sintomas possam ser bastante incômodos, há formas de tratá-los e eles não devem ser encarados como motivo para pânico.
O assunto surgiu durante uma entrevista das duas atrizes à revista Allure, publicada em julho de 2026, enquanto divulgavam o filme The Invite. Em determinado momento, elas deixaram de falar sobre cinema e passaram a discutir as transformações hormonais que podem ocorrer antes da menopausa.
Penélope contou que ficou surpresa ao descobrir, aos 41 anos, que aquela fase poderia se prolongar por bastante tempo. Segundo a atriz, sua médica explicou que as oscilações hormonais poderiam continuar durante anos.
“Pode durar 10, 12 anos. Pode começar já aos 40. Os altos e baixos podem ser uma loucura”, afirmou Cruz na conversa com a Allure.
A duração não é igual para todas as mulheres. A Mayo Clinic informa que a perimenopausa corresponde ao período anterior à menopausa, marcado por alterações na produção hormonal e no ciclo menstrual. Em geral, essa transição dura alguns anos, embora possa ser bastante prolongada em determinadas pessoas. A instituição cita uma duração média de aproximadamente quatro anos, enquanto especialistas da própria Mayo observam que períodos de seis a dez anos também são possíveis.
Durante essa etapa, os níveis de estrogênio podem subir e cair de maneira irregular. Entre os sintomas conhecidos estão alterações na menstruação, ondas de calor, dificuldades para dormir, mudanças de humor e ressecamento vaginal.
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O sintoma que surpreendeu Olivia Wilde
Foi outro problema, porém, que chamou particularmente a atenção de Olivia Wilde durante a entrevista.
Quando as duas discutiam sintomas pouco conhecidos da perimenopausa, surgiu o chamado “ombro congelado”, nome popular da capsulite adesiva. Wilde disse ter ficado tão impressionada com a informação que passou a pensar frequentemente na possibilidade de apresentar o problema.
A capsulite adesiva provoca dor, rigidez e redução progressiva dos movimentos do ombro. Segundo a Cleveland Clinic, o tecido conjuntivo que envolve a articulação pode engrossar e ficar inflamado, dificultando os movimentos. A condição costuma se desenvolver gradualmente e é mais frequente entre adultos de 40 a 60 anos, atingindo mulheres com maior frequência do que homens.
A associação entre dores articulares e a transição para a menopausa não é completamente estranha à literatura médica. O serviço público de saúde britânico, o NHS, inclui a perimenopausa e a menopausa entre possíveis causas de dores nas articulações, relacionando esse quadro à redução dos níveis de estrogênio.
Isso não significa, porém, que toda mulher com dor ou rigidez no ombro esteja passando pela perimenopausa. Lesões, imobilização prolongada, diabetes, alterações da tireoide e outras condições também são fatores associados à capsulite adesiva.
Nas redes sociais, a revelação das atrizes provocou uma série de relatos de mulheres que afirmaram reconhecer alguns dos sintomas. Houve quem mencionasse enxaquecas, insônia, ondas de calor, cansaço e problemas no ombro. Outras demonstraram preocupação com o que poderiam enfrentar ao chegar a essa etapa da vida.
Médica pede menos medo e mais informação
Diante da repercussão, a médica Ravina Bhanot, que atua na área de saúde feminina, conversou com o site britânico Tyla e defendeu que falar abertamente sobre a perimenopausa ajuda mulheres a reconhecer sintomas que durante muito tempo receberam pouca atenção.
Bhanot considera o ombro congelado um problema pouco reconhecido nesse contexto. Segundo ela, mudanças nos níveis de estrogênio podem estar relacionadas a alterações inflamatórias e à rigidez nas articulações, embora outros fatores precisem ser considerados antes de atribuir o problema exclusivamente à perimenopausa.
A médica também destacou que o quadro pode ser tratado. Fisioterapia e medicamentos anti-inflamatórios estão entre as abordagens utilizadas em determinados casos. A Cleveland Clinic explica que a capsulite adesiva costuma melhorar com o tempo, embora a recuperação possa levar de um a três anos.
Bhanot já chamou atenção em outras ocasiões para sintomas menos conhecidos relatados durante a transição hormonal, ressaltando a importância de descartar outras causas antes de relacionar automaticamente qualquer alteração à menopausa.
Esse cuidado é importante porque a experiência varia bastante de uma pessoa para outra. Algumas mulheres enfrentam ondas de calor intensas; outras praticamente não apresentam esse sintoma e percebem principalmente alterações no sono, no humor, na memória ou dores no corpo.
Também não existe um único exame capaz de determinar, isoladamente, que uma mulher entrou na perimenopausa. A avaliação costuma considerar idade, histórico menstrual e sintomas, já que os níveis hormonais podem oscilar significativamente nessa fase.
Quando os sintomas começam a interferir na rotina, há diferentes possibilidades de tratamento. Dependendo do caso e do histórico de saúde da paciente, elas podem incluir ajustes no estilo de vida, medicamentos não hormonais ou terapia hormonal. A Mayo Clinic destaca que a terapia hormonal sistêmica é uma das opções mais eficazes para ondas de calor e suores noturnos, mas a indicação deve ser individualizada por um profissional de saúde.
A menopausa propriamente dita é considerada atingida depois de 12 meses consecutivos sem menstruação. Até lá, oscilações no ciclo e sintomas variados podem fazer parte da transição, mas alterações persistentes ou preocupantes devem ser avaliadas por um médico em vez de serem atribuídas automaticamente aos hormônios.
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