A mulher mais velha da história fumava, bebia vinho e, ainda assim, viveu até os 122 anos! Médicos revelam uma coisa que ela fazia todos os dias

Quando Jeanne Calment nasceu, em 1875, a Torre Eiffel ainda levaria mais de uma década para começar a ser construída. Quando morreu, em 1997, computadores pessoais e a internet já faziam parte da vida de milhões de pessoas. Entre uma época e outra, a francesa atravessou 122 anos e 164 dias, idade que permanece reconhecida como a maior já comprovada para um ser humano.

A longevidade de Jeanne chama atenção também por um detalhe que contraria a imagem convencional de alguém que segue uma rotina impecavelmente saudável. Ela gostava de chocolate, bebia vinho do Porto e fumou durante boa parte da vida.

Nada disso, evidentemente, transforma cigarro ou bebida alcoólica em receita para viver mais. O caso de Jeanne é uma exceção extraordinária, e pesquisadores que estudaram sua vida apontam para uma combinação bem mais complexa de fatores, incluindo genética, condição socioeconômica, atividade física e uma característica que aparecia repetidamente em sua rotina: a maneira tranquila com que enfrentava os problemas.

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Uma vida ativa até idade avançada

Jeanne Louise Calment nasceu em 21 de fevereiro de 1875, em Arles, no sul da França. Sua idade foi investigada a partir de registros civis, censos e outros documentos históricos. O Guinness World Records a reconhece como a pessoa mais velha cuja idade foi plenamente autenticada.

A documentação é especialmente extensa. Pesquisadores do Instituto Nacional Francês de Saúde e Pesquisa Médica, o Inserm, analisaram registros civis e religiosos, censos e documentos escolares e familiares para confirmar sua identidade e sua trajetória.

Apesar da idade extraordinária que alcançaria, Jeanne manteve uma rotina bastante ativa durante décadas. Praticou atividades como natação, tênis e ciclismo e, segundo o Guinness, ainda andava de bicicleta aos 100 anos. Também começou a praticar esgrima aos 85.

Seu estilo de vida, porém, tinha algumas peculiaridades.

Ela apreciava azeite de oliva, chocolate e vinho do Porto. O Guinness também registra que Jeanne começou a fumar aos 21 anos e só abandonou o hábito numa idade extremamente avançada. Uma das versões documentadas afirma que ela deixou o cigarro em 1995 porque, com a visão comprometida, já não conseguia acendê-lo sozinha e não queria depender de outras pessoas para isso.

Isso torna sua longevidade ainda mais incomum, mas não altera o que se sabe sobre os riscos desses hábitos. O fato de uma pessoa ter chegado aos 122 anos fumando não permite concluir que o cigarro tenha sido inofensivo para ela, muito menos que possa favorecer uma vida longa.

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O fator que chamou a atenção dos pesquisadores

Jean-Marie Robine, demógrafo e pesquisador de longevidade que participou da validação da idade de Jeanne, acompanhou seu caso de perto. Ao analisar sua vida, pesquisadores perceberam que ela parecia ter uma relação pouco comum com o estresse.

Jeanne era conhecida pela disposição tranquila e pelo humor afiado. Uma frase atribuída a ela resume bem essa postura: diante de algo que não podia mudar, preferia simplesmente não se preocupar.

A ideia não significa que “não se estressar” seja uma fórmula capaz de levar alguém aos 120 anos. No caso de Jeanne, sua longevidade provavelmente resultou de diversos fatores funcionando em conjunto.

Robine já destacou, por exemplo, a possível influência genética. O irmão de Jeanne viveu até os 97 anos, seu pai chegou aos 92 e sua mãe, aos 86, idades elevadas especialmente considerando o período em que nasceram. A família também possuía boa condição financeira e educacional, dois fatores associados a melhores condições de vida e saúde.

Sua rotina ativa pode ter contribuído igualmente. Décadas depois, Robert Young, principal consultor de gerontologia do Guinness World Records, apontaria justamente características como manter horários regulares, continuar fisicamente e mentalmente ativo e preservar contatos sociais como comportamentos encontrados com frequência em pessoas muito longevas.

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Ela atravessou três séculos de transformações

A dimensão da idade de Jeanne fica mais fácil de perceber olhando para os acontecimentos que caberam dentro de sua vida.

Ela nasceu 14 anos antes da conclusão da Torre Eiffel e viveu durante as duas guerras mundiais, a popularização do automóvel, do avião, da televisão e dos computadores.

Também dizia ter conhecido Vincent van Gogh quando era adolescente, durante a passagem do pintor por Arles. A lembrança se tornou tão conhecida que Jeanne apareceu, aos 114 anos, no filme Vincent et Moi, interpretando a si mesma. Com isso, tornou-se também a atriz mais velha registrada pelo Guinness.

Mesmo em idade avançada, sua lucidez e o senso de humor continuaram chamando atenção. Quando perguntaram, em seu aniversário de 120 anos, o que esperava do futuro, ela respondeu de maneira bastante coerente com sua personalidade: esperava que fosse curto.

Jeanne morreu em 4 de agosto de 1997, em Arles, aos exatos 122 anos e 164 dias. Quase três décadas depois, seu recorde permanece oficialmente reconhecido, e ela continua sendo a única pessoa com idade comprovada a ultrapassar os 120 anos.

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Gabriel Pietro
Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.