A história real de vida desta estrela de Hollywood é muito mais fascinante do que qualquer um de seus filmes

Durante os anos 1980, Andrew McCarthy parecia ter sido escalado para interpretar exatamente o tipo de personagem que fazia adolescentes suspirarem: jovem, discreto, bonito e com um jeito aparentemente vulnerável. O cinema transformou aquele rosto em símbolo de uma geração, mas havia um detalhe que as câmeras não conseguiam mostrar.

Enquanto protagonizava filmes que se tornariam referências da década, McCarthy enfrentava uma relação cada vez mais problemática com o álcool. O contraste era especialmente cruel: quanto mais o público enxergava nele um rapaz sensível e tranquilo, mais difícil ficava para o próprio ator lidar com o que acontecia longe dos sets.

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O garoto de Nova Jersey que não estava preparado para a fama

Nascido em 1962, em Westfield, Nova Jersey, Andrew McCarthy era o terceiro de quatro irmãos. Sua mãe trabalhava em um jornal e seu pai atuava no mercado de investimentos. Nada em sua infância indicava uma preparação para a vida de celebridade que viria depois.

Na escola, porém, ele descobriu que gostava de atuar. O problema era que também se sentia deslocado.

McCarthy já contou que se sentia solitário durante os anos escolares e que tinha a impressão de não pertencer àquele ambiente. Depois do ensino médio, entrou na Universidade de Nova York para estudar atuação, mas acabou expulso dois anos depois por praticamente não frequentar as aulas.

A expulsão, ironicamente, abriu uma porta muito maior.

Poucas semanas depois, ele viu no jornal um anúncio para testes do filme Class. Cerca de 500 jovens apareceram para a seleção. McCarthy conseguiu o papel de Jonathan Ogner e contracenou com Jacqueline Bisset.

A experiência foi tão inesperada que ele posteriormente resumiu aquele período dizendo que, em uma semana, estava na faculdade e, na seguinte, aparecia em uma cena de cama com Bisset.

A carreira tinha começado de maneira bastante improvável.

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St. Elmo’s Fire e a transformação em astro adolescente

Depois de Class, McCarthy começou a conseguir trabalhos cada vez maiores. O salto veio em 1985, com St. Elmo’s Fire, filme dirigido por Joel Schumacher que reuniu nomes como Rob Lowe, Demi Moore, Emilio Estevez e Judd Nelson.

A produção recebeu críticas pouco entusiasmadas, mas encontrou um público enorme. O elenco passou a ser associado ao chamado “Brat Pack”, rótulo criado pela imprensa para identificar um grupo de jovens atores que dominava parte do cinema americano naquele período.

McCarthy também não escapou da associação.

Um ano depois, ele estrelou Pretty in Pink, ao lado de Molly Ringwald. Seu personagem, Blane McDonough, consolidou uma imagem que acompanharia o ator por décadas: o rapaz aparentemente reservado, romântico e sensível.

Depois vieram filmes como Mannequin, de 1987, e Weekend at Bernie’s, de 1989.

O curioso é que, enquanto sua imagem pública se tornava cada vez mais associada ao jovem charmoso e controlado, sua vida pessoal caminhava na direção oposta.

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O álcool que ninguém percebia

McCarthy começou a consumir maconha ainda no ensino médio e bebia socialmente. Com o crescimento da carreira, porém, o álcool passou de hábito social a uma espécie de ferramenta para lidar com inseguranças.

Ele explicou posteriormente que beber fazia com que se sentisse confiante, sexy, poderoso e no controle, justamente características que não experimentava naturalmente.

O problema é que a aparência diante das câmeras não denunciava o que estava acontecendo.

Durante as filmagens de Pretty in Pink, por exemplo, McCarthy estava frequentemente de ressaca. A ironia não passou despercebida para ele: o público enxergava sensibilidade no personagem, enquanto o ator estava tentando simplesmente atravessar o dia sem ser dominado pelos efeitos da bebida.

Em determinado momento, o consumo de drogas também entrou nessa equação. McCarthy relatou ter experimentado cocaína durante os anos 1980, mas afirmou que a droga estava principalmente ligada ao seu consumo de álcool. No trabalho, procurava evitar drogas, pois já se sentia suficientemente ansioso.

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A decisão de parar de beber

Em 1989, pouco antes das filmagens de Weekend at Bernie’s, McCarthy decidiu parar de beber.

A princípio, afastar-se da vida social de Hollywood não foi tão difícil. Ele sempre se identificou como uma pessoa introvertida e dizia estar confortável quando estava sozinho.

O problema é que parar de beber não significou que a questão estivesse resolvida.

Durante as filmagens de Jours tranquilles à Clichy, alguém lhe ofereceu uma cerveja. Quando pegou a lata, suas mãos começaram a tremer. O episódio revelou que o problema continuava muito mais presente do que ele gostaria de admitir.

Os três anos seguintes seriam marcados, segundo o próprio ator, por sofrimento e perda de controle.

Em uma manhã particularmente difícil, depois de uma forte ressaca e convulsões, McCarthy caiu no chão do banheiro e chorou diante da situação em que sua vida havia chegado.

Aos 29 anos, ele finalmente entrou em uma clínica de reabilitação, passou por desintoxicação e assumiu um compromisso definitivo com a sobriedade.

A carreira tomou outro rumo

Depois da reabilitação, McCarthy passou a se afastar da rotina de festas que acompanhava a fama nos anos 1980. E sua carreira também começou a mudar.

Ele continuou atuando, mas encontrou uma nova área de trabalho atrás das câmeras. Como diretor, comandou episódios de séries conhecidas, entre elas Orange Is the New Black e Gossip Girl.

Ao longo dos anos, dirigiu dezenas de horas de televisão e construiu uma segunda carreira que acabou sendo tão relevante quanto sua trajetória como ator.

Também se tornou escritor e jornalista de viagens. Em 2010, recebeu o prêmio de Travel Journalist of the Year e passou a publicar textos em veículos como National Geographic Traveler e Men’s Journal.

Para McCarthy, atuar e escrever sobre viagens tinham uma conexão direta: ambas as atividades eram formas de contar histórias.

A mudança também combinava com sua personalidade. Longe da pressão dos estúdios e da exposição constante, viajar lhe dava a sensação de estar mais atento ao ambiente e às próprias experiências.

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O casamento que terminou e a família que construiu

A vida pessoal de McCarthy também teve mudanças importantes.

Em 1999, ele se casou com Carol Schneider, sua antiga namorada dos tempos de faculdade. Os dois tiveram um filho, Sam, nascido em 2002. O casamento terminou em 2005.

Em 2011, McCarthy se casou com a escritora e diretora irlandesa Dolores Rice. O casal teve duas filhas, Willow e Rowan.

Sam também seguiu carreira artística e tornou-se ator.

Atualmente, McCarthy mantém uma vida familiar muito mais discreta do que aquela que experimentou quando era um dos rostos mais conhecidos do cinema jovem americano.

O que Andrew McCarthy pensa dos filmes que o tornaram famoso

Décadas depois, existe uma diferença interessante entre a maneira como o público encara seus filmes dos anos 1980 e como o próprio McCarthy encara esse período.

Enquanto fãs continuam tratando Pretty in Pink, St. Elmo’s Fire e Mannequin com enorme carinho, ele não demonstra grande interesse em romantizar o passado.

McCarthy já afirmou que não sente muita nostalgia daquela época. Para ele, a relação dos fãs com aqueles filmes pertence às experiências pessoais de quem os assistiu.

A distância faz sentido quando se conhece o outro lado daquela história. Os mesmos anos que produziram alguns dos personagens mais lembrados de sua carreira também foram aqueles em que ele desenvolveu uma dependência que quase destruiu sua vida.

Hoje, aos 64 anos, Andrew McCarthy continua trabalhando como ator, diretor e escritor. Sua imagem também mudou. O jovem de cabelos escuros que dominava revistas adolescentes deu lugar a um homem com décadas de experiência diante e atrás das câmeras.

E talvez seja justamente essa parte menos conhecida de sua biografia que torne sua trajetória tão interessante: McCarthy precisou descobrir quem era depois que deixou de ser o personagem que Hollywood havia criado para ele.

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Gabriel Pietro
Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.