Médico brasileiro alerta sobre 4 remédios que mais causam infarto no mundo e você provavelmente tem na sua casa

A relação entre medicamentos comuns e problemas cardíacos costuma passar despercebida por um motivo simples: muitos deles são comprados ou utilizados justamente para situações consideradas corriqueiras, como dor muscular, inflamação, gripe ou congestão nasal. O fato de um remédio ser conhecido, porém, não significa que seu uso seja indiferente para o coração.

Foi esse o ponto levantado pelo médico brasileiro Dr. Juan Lambert, CRM-SP 163256, que reúne mais de 2 milhões de seguidores no Instagram. Em um vídeo que ganhou repercussão nas redes sociais, ele chamou a atenção para medicamentos encontrados com facilidade em muitas casas e que podem representar risco cardiovascular em determinados pacientes.

O alerta merece uma ressalva importante: não há uma classificação científica reconhecida que estabeleça esses medicamentos como “os quatro que mais causam infarto no mundo”. O que estudos e órgãos reguladores mostram é que algumas dessas substâncias podem aumentar a pressão arterial, favorecer eventos trombóticos ou elevar o risco de infarto e AVC, especialmente em doses altas, uso prolongado ou entre pessoas que já apresentam fatores de risco.

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1. Anti-inflamatórios: diclofenaco, ibuprofeno, nimesulida e naproxeno

Os anti-inflamatórios não esteroides, conhecidos pela sigla AINEs, estão entre os medicamentos mais usados para dores musculares, problemas ortopédicos, inflamações e febre. Diclofenaco, ibuprofeno, nimesulida e naproxeno pertencem a esse grupo.

O problema aparece principalmente quando o uso é frequente, prolongado ou feito em doses elevadas.

A Agência Europeia de Medicamentos afirma que os AINEs estão associados a um pequeno aumento no risco de eventos trombóticos arteriais, como infarto do miocárdio e AVC. Entre eles, o diclofenaco recebeu atenção especial por apresentar risco cardiovascular comparável ao observado com alguns medicamentos inibidores seletivos da COX-2.

Segundo a agência europeia, em pessoas com risco cardiovascular moderado, o uso regular de diclofenaco durante um ano poderia resultar em aproximadamente três eventos cardiovasculares adicionais para cada mil pacientes tratados. O risco tende a aumentar quando são utilizados 150 mg por dia e por períodos prolongados.

Com o ibuprofeno, a dose também faz diferença. Uma revisão europeia identificou pequeno aumento no risco de infarto e AVC principalmente a partir de 2.400 mg por dia. Em doses de até 1.200 mg diários, geralmente utilizadas em apresentações vendidas sem receita em alguns países, esse aumento não foi identificado nos dados avaliados.

Isso ajuda a desmontar uma ideia comum: o risco não é igual para todos os anti-inflamatórios, doses e pacientes.

Pessoas com hipertensão, colesterol elevado, diabetes, tabagismo, insuficiência cardíaca ou histórico de infarto e AVC precisam de atenção ainda maior.

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2. Sibutramina: medicamento para emagrecer que exige controle médico

Outro medicamento citado por Juan Lambert é a sibutramina, utilizada no tratamento da obesidade em situações específicas.

Seu efeito envolve mecanismos capazes de aumentar a atividade de neurotransmissores como noradrenalina e serotonina. Ao mesmo tempo, a sibutramina pode provocar elevação da frequência cardíaca e da pressão arterial, características que ajudam a explicar a preocupação com seu uso em pacientes cardiovasculares.

Um dos principais estudos sobre o tema foi o SCOUT, que acompanhou aproximadamente 9.800 pacientes durante vários anos.

Os resultados mostraram aumento na ocorrência de eventos cardiovasculares graves, incluindo infarto e AVC, em pacientes de alto risco que utilizavam sibutramina.

As conclusões levaram a Agência Europeia de Medicamentos a recomendar, em 2010, a suspensão das autorizações de comercialização de medicamentos contendo sibutramina na União Europeia.

No Brasil, a substância permaneceu disponível sob controle e possui restrições de prescrição. Isso significa que não deve ser encarada como um produto comum para acelerar emagrecimento por conta própria.

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3. Descongestionantes com pseudoefedrina e fenilefrina

Nariz entupido parece um problema distante do coração, mas o mecanismo de alguns descongestionantes explica por que médicos fazem essa associação.

Substâncias como pseudoefedrina e fenilefrina provocam constrição dos vasos sanguíneos. Essa redução do calibre dos vasos ajuda a diminuir o inchaço da mucosa nasal e facilita temporariamente a respiração.

Só que esse efeito não fica necessariamente limitado ao nariz.

A constrição vascular pode elevar a pressão arterial e aumentar a carga de trabalho do sistema cardiovascular. A American Heart Association alerta especialmente para o uso desses medicamentos por pessoas com hipertensão descontrolada, insuficiência cardíaca ou histórico de infarto e AVC.

Em pessoas saudáveis e utilizando o produto corretamente por períodos curtos, isso não significa que um comprimido contra congestão provocará automaticamente um infarto.

O cuidado é particularmente importante para quem já apresenta risco cardiovascular ou combina descongestionantes com outros medicamentos capazes de elevar pressão e frequência cardíaca.

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4. Oximetazolina: o descongestionante nasal também merece atenção

A oximetazolina, presente em alguns descongestionantes aplicados diretamente no nariz, também aparece no alerta.

Como outros descongestionantes, ela atua contraindo vasos sanguíneos da mucosa nasal. Embora a administração seja local, uma parcela do medicamento pode produzir efeitos sistêmicos, principalmente quando ocorre uso excessivo ou quando o paciente apresenta sensibilidade cardiovascular.

A American Heart Association inclui a oximetazolina entre os descongestionantes capazes de elevar a pressão arterial e recomenda cautela em pessoas hipertensas.

Existe ainda outro problema conhecido de quem prolonga o uso desses sprays: o chamado efeito rebote, em que a congestão retorna após o medicamento perder o efeito e a pessoa passa a utilizá-lo cada vez mais vezes.

É uma situação que ajuda a transformar um produto aparentemente banal da gaveta do banheiro em medicamento usado durante semanas sem avaliação profissional.

Ter o medicamento em casa não significa que ele seja perigoso para todos

Esse talvez seja o ponto mais importante do alerta.

Diclofenaco, ibuprofeno, naproxeno ou descongestionantes não provocam infarto inevitavelmente. Muitos desses medicamentos são utilizados há décadas e podem ter indicação adequada.

A possibilidade de complicação depende de fatores como dose, duração do tratamento, idade, pressão arterial, doenças cardiovasculares anteriores, diabetes, colesterol elevado, tabagismo e interação com outros medicamentos.

Órgãos reguladores recomendam, por exemplo, que anti-inflamatórios sejam utilizados na menor dose eficaz e pelo menor período necessário quando houver indicação.

Também é especialmente ruim o hábito de usar anti-inflamatório durante vários dias ou semanas sem investigar por que a dor continua. O remédio pode aliviar o sintoma enquanto o consumo repetido acrescenta riscos gastrointestinais, renais e cardiovasculares.

Da mesma maneira, quem possui hipertensão ou doença cardíaca deve verificar a composição de medicamentos contra gripe e congestão antes de tomá-los. Pseudoefedrina, fenilefrina e outros descongestionantes aparecem misturados a analgésicos e antialérgicos em diferentes fórmulas, o que faz muita gente consumir a substância sem prestar atenção ao princípio ativo.

O alerta de Juan Lambert, portanto, encontra respaldo no ponto central: medicamentos bastante conhecidos podem ter efeitos cardiovasculares relevantes e não deveriam ser utilizados como se fossem completamente inofensivos.

A parte que exige cuidado é transformar essa advertência em um ranking absoluto. A ciência disponível permite falar em aumento de risco associado a determinados medicamentos e circunstâncias, mas não sustenta que esses sejam, de maneira comprovada, “os quatro medicamentos que mais causam infarto no mundo”.

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Gabriel Pietro
Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.