
Tem série que termina e você segue a vida. The Third Day termina e te dá aquela vontade bem específica de voltar em cenas “bobas” do começo pra checar se você perdeu um detalhe óbvio — porque a sensação é de que a história estava o tempo todo falando outra coisa, só que por códigos.
Aqui no Brasil, ela costuma aparecer citada como “The Third Day (O Terceiro Dia)” em textos e guias.
E, sim: é uma minissérie de suspense/terror psicológico da HBO/Sky, criada por Dennis Kelly e Felix Barrett, com Jude Law e Naomie Harris como protagonistas.
O truque principal (e o motivo de tanta gente sair desnorteada) está no formato: são seis episódios divididos em duas metades, “Summer” e “Winter”.
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Na prática, você acompanha duas chegadas diferentes à mesma ilha — a tal Osea — e vai percebendo que o lugar funciona como uma máquina de pressão: as pessoas ali tratam “tradição” como regra de sobrevivência, e quem entra vira peça do ritual social deles.
A crítica do Guardian resumiu bem essa energia ao comparar o clima com The Wicker Man, mas com um tempero moderno de paranoia e drama familiar.
Na parte “Summer”, Jude Law é Sam, um homem em luto que atravessa uma sequência de decisões impulsivas até parar na ilha e descobrir que sair de lá não depende só de pegar um barco.
O texto do roteiro não fica explicando “como funciona”: ele joga o personagem em situações em que todo mundo parece saber o que está acontecendo — menos ele (e, por tabela, você).
O resultado é um tipo de tensão que não vem de susto, vem de convivência: olhares longos demais, frases meio ensaiadas, gente simpática que vira ameaça sem levantar a voz.

Depois, “Winter” muda a chave: entra Naomie Harris como Helen, uma mãe que chega com as filhas e encontra o mesmo cenário, só que por outro ângulo.
Essa troca é crucial, porque a série adora fazer você achar que finalmente “pegou o padrão” — e logo em seguida mostra que o padrão era só uma parte.
E tem um detalhe que muita gente nem sabe que existe: “The Third Day: Autumn”, um especial ao vivo de 12 horas, feito como evento teatral transmitido, pensado pra conectar as duas metades.
A ideia é ousada e bem cara de laboratório: em vez de “explicar”, o especial aprofunda a sensação de rito coletivo, com foco em resistência física, repetição e símbolos. Não é obrigatório pra entender a trama básica, mas ajuda a entender por que a série tem esse gosto de “você viu, mas não decodificou”.
O cenário também não é enfeite. A produção foi filmada em Osea Island, na costa de Essex, e a geografia ajuda a história a te encurralar: maré, isolamento, um lugar que parece sempre longe do resto do mundo — do tipo que faz qualquer decisão pequena virar armadilha.

Some a isso a trilha (Cristobal Tapia de Veer, entre outros), que entra mais como incômodo do que como “música bonita”, e você tem uma minissérie que trabalha muito no nervo.
O ponto é: The Third Day não te dá o conforto de um final “explicadinho”. Ela prefere deixar perguntas em aberto, brincar com memória, culpa e fé de um jeito que muda de sentido dependendo da cena que você resolve revisitar.
E quando chega o último episódio, a sensação mais comum é essa mesmo: “ok… então o que eu assisti foi exatamente isso — ou foi outra coisa por baixo?”.
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