Pessoas ficam horrorizadas ao descobrir que uma parte do corpo é sempre removida durante uma autópsia

Autópsias costumam despertar uma curiosidade desconfortável justamente porque boa parte do que acontece durante o procedimento permanece desconhecida para quem está fora da medicina legal. Uma explicação publicada por um técnico de autópsia nas redes sociais acabou chamando atenção por envolver uma parte do corpo que pouca gente esperaria ver retirada: a língua.

Gerald Ledford, conhecido nas redes por compartilhar curiosidades sobre procedimentos pós-morte, respondeu a uma pessoa preocupada com o destino de seus piercings caso seu corpo um dia fosse submetido a uma autópsia. Ledford se apresenta como técnico de autópsia e mantém perfis dedicados ao assunto.

A pergunta era relativamente simples: os piercings seriam retirados?

Segundo ele, a maioria poderia permanecer no lugar. A exceção seria o piercing colocado na língua, já que, durante determinados exames, essa parte do corpo pode ser removida para permitir uma análise mais detalhada da boca, da garganta e das estruturas do pescoço.

Foi justamente essa informação, e não o destino da joia, que surpreendeu muita gente.

Nos comentários, usuários demonstraram espanto ao descobrir que uma pessoa submetida a uma autópsia poderia ser velada posteriormente sem a língua. Outros brincaram que jamais haviam pensado nesse detalhe antes de assistir ao vídeo. Houve ainda quem afirmasse que preferiria ser cremado imediatamente para evitar pensar sobre os procedimentos realizados no corpo após a morte.

Mas há um detalhe importante que acabou se perdendo no meio da repercussão: a língua não é obrigatoriamente removida em todas as autópsias.

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Por que a língua pode ser retirada?

A retirada pode fazer parte da análise das estruturas da boca, garganta e pescoço. De acordo com o MedicineNet, o procedimento permite ao patologista examinar melhor a cavidade oral, procurar alterações, acessar estruturas da garganta e, quando necessário, coletar amostras de tecido. A própria publicação ressalta que a remoção da língua não é uma etapa obrigatória de todas as autópsias.

Protocolos de medicina legal mostram por que esse exame pode ser importante em circunstâncias específicas.

O Protocolo de Minnesota, documento das Nações Unidas voltado à investigação de mortes potencialmente ilícitas, orienta que, durante a análise do pescoço, os órgãos da região possam ser retirados juntamente com a língua. Isso permite verificar lesões, substâncias presentes nas vias aéreas e alterações em estruturas como laringe e esôfago.

Diretrizes do Royal College of Pathologists também recomendam atenção à língua e às estruturas do pescoço em determinadas situações, inclusive para procurar sinais de mordida, obstrução das vias respiratórias ou alterações associadas a algumas causas de morte.

Em casos envolvendo suspeita de estrangulamento ou outros traumas no pescoço, esse exame pode ser especialmente relevante. Um artigo publicado no Journal of Forensic Sciences descreve que a língua pode apresentar hemorragias internas capazes de fornecer informações importantes sobre o mecanismo de uma lesão. O mesmo trabalho observa, porém, que ela nem sequer é removida em todas as autópsias, reforçando que a necessidade depende do caso investigado.

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O que acontece durante uma autópsia

O objetivo principal do procedimento é determinar ou esclarecer a causa da morte e identificar doenças, lesões ou outras alterações que possam ajudar a explicar o que ocorreu. Dependendo das circunstâncias, o exame pode envolver cérebro, órgãos do tórax e abdômen, tecidos e estruturas do pescoço.

A técnica também varia conforme o tipo de autópsia e as informações que os patologistas precisam obter. Há métodos nos quais a língua é retirada em conjunto com órgãos cervicais, enquanto outros exames não exigem esse procedimento. Protocolos publicados na literatura médica descrevem, por exemplo, a retirada da língua junto às vísceras do pescoço para que essas estruturas sejam examinadas em continuidade.

Portanto, a reação provocada pelo vídeo nasceu de algo que realmente pode ocorrer em uma autópsia, mas a ideia de que toda pessoa submetida ao exame terá necessariamente a língua retirada é imprecisa.

A decisão depende das circunstâncias da morte, do tipo de autópsia e do que o patologista precisa investigar. Em certos casos, analisar a língua e os órgãos do pescoço pode fornecer pistas relevantes que seriam difíceis de identificar apenas observando o corpo externamente.

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Gabriel Pietro
Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.