Para assistir no fim de semana: A minissérie da Netflix com 6 episódios que o público e a crítica amaram

Se você está com vontade de ver um suspense bem amarrado, daqueles que dão vontade de apertar “próximo episódio” sem pensar muito, Sobreviventes virou uma escolha certeira na Netflix.

A produção australiana tem seis episódios, chegou como um dos dramas mais comentados de 2025 e adapta o livro homônimo de Jane Harper — com uma mistura inteligente de investigação, tensão emocional e um monte de coisa mal resolvida que ninguém gosta de falar em voz alta.

Em vez de apostar em sustos fáceis ou soluções mágicas, a série trabalha com um clima persistente de desconforto: passado e presente se encostam o tempo todo, e os personagens parecem viver com a sensação de que qualquer conversa pode virar confissão.

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O roteiro usa bem os silêncios, a culpa e o tipo de lembrança que volta quando a vida finalmente estava “andando”.

O cenário ajuda muito nessa sensação. A trama se passa em Evelyn Bay, uma cidade costeira na Tasmânia, onde o mar é bonito, mas o ambiente carrega um peso estranho, como se todo mundo soubesse algo que você ainda não sabe.

É o tipo de lugar em que um olhar atravessado na padaria já vira assunto — e isso dá combustível para a paranoia do público.

A virada inicial acontece quando Kieran Elliott volta para a cidade depois de 15 anos longe. Ele não retorna por nostalgia: na adolescência, uma tragédia nas cavernas da costa mudou tudo, tirou a vida de pessoas próximas (incluindo o irmão dele e amigos) e deixou uma ferida aberta na comunidade.

Nesse mesmo período, Gabby, uma jovem da região, desapareceu — e ninguém conseguiu explicar de verdade o que aconteceu.

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Logo que Kieran pisa de volta em Evelyn Bay, as coisas pioram: um corpo aparece na praia, e a cidade entra em combustão lenta. A morte recente reativa as culpas antigas, as versões “oficiais” começam a balançar e a investigação passa a mexer exatamente onde ninguém queria mexer: nos acordos silenciosos que mantiveram a vida funcionando por mais de uma década.

A série acerta em como solta as informações. Em vez de despejar reviravoltas a cada dez minutos, ela prefere revelar detalhes de forma gradual, com pistas pequenas que mudam o sentido de cenas anteriores. O choque aqui costuma vir mais de uma frase dita no momento errado — ou de algo que alguém evita responder — do que de perseguições ou cenas grandiosas.

E o melhor: a história não fica limitada ao “quem matou?”. Conforme a investigação avança, aparecem camadas sobre relações antigas, lealdades confusas e sobre como uma comunidade inteira aprende a conviver com meias verdades.

Quase todo mundo parece ter um motivo para torcer o relato, e isso faz você suspeitar até do personagem mais “correto”.

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No elenco, Charlie Vickers segura bem o papel de Kieran, um cara dividido entre seguir em frente e encarar o que ele mesmo tenta empurrar para debaixo do tapete.

Yerin Ha vive Mia Chang, parceira de Kieran, e funciona como um contraponto interessante: ela observa o lugar com olhos de fora, mas sente o impacto real de estar cercada por segredos. Robyn Malcolm interpreta Verity, mãe de Kieran, e a dinâmica entre os dois é carregada de mágoas que nunca viraram conversa de verdade.

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A série ainda ganha corpo com personagens que completam a “teia” social da cidade, como Shannon Berry (Bronte) e Damien Garvey (Brian), reforçando essa sensação de que cada família guarda um pedaço da história — e que esses pedaços não se encaixam por acaso.

Para quem gosta de números, a recepção crítica também chamou atenção: no Rotten Tomatoes, a minissérie aparece com 100% de aprovação entre críticos, enquanto a avaliação do público é mais comedida — o que costuma acontecer com histórias mais contidas, que apostam em clima e personagens em vez de adrenalina o tempo inteiro.

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.