Tinha saído do shopping e a mala do carro já estava repleta das compras de Natal. Ainda faltavam mais algumas para serem feitas. Chego no sinal e tenho que parar. Vejo à frente um menino, de aproximadamente dez anos, batendo no vidro dos carros para recolher algum trocado. Torço para o sinal abrir, mas o garoto chega perto de mim. Pego duas moedas de dez centavos. Abro o vidro e lhe digo que é pouco, mas é o que posso lhe dar.

Imediatamente, ele põe a mão no bolso e retira um punhado de moedas. Olha para mim e diz: estou com pena do senhor que está pior do que eu. O meu outro bolso está cheio, posso dividir estas contigo. Pode levar. Respondo-lhe: o que é isso, menino! Você precisa delas para ajudar sua família. O sinal abre e envergonhado desejo-lhe boa sorte.

É mais uma lição que a gente aprende: os pobres conseguem partilhar a sua miséria. Chego em casa e penso: os armários estão cheios de roupas e de sapatos e de tanta coisa que há muito tempo não uso. Chego em casa e penso: os armários estão cheios de roupas e de sapatos e de tanta coisa, que há muito tempo não uso. Está na hora de aprender a lição e começar a partilhar, doando uma parte para as casas de obras sociais ou entregar diretamente a quem precisa.

Sento no sofá e pego o jornal. Deparo-me com um texto de um poeta anônimo de Malawi, África, que me questiona:

“Eu tinha fome e vocês fundaram um clube humanitário para discutir a minha fome. Agradeço-lhes.
Eu estava na prisão e vocês foram à Igreja rezar pela minha libertação. Agradeço-lhes.
Eu estava nu e vocês examinaram seriamente as consequências morais da minha nudez. Agradeço-lhes.
Eu estava doente e vocês se ajoelharam e agradeceram a Deus o dom da saúde. Agradeço-lhes.
Eu não tinha casa e vocês pregaram sobre o amor de Deus. Vocês pareciam tão piedosos, tão perto de Deus.
Mas eu continuo com fome, continuo só, nu, doente, prisioneiro. E tenho frio e continuo sem casa”.

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Este poema me leva ao sinal vermelho da minha existência, fazendo-me parar e (re)pensar. Isto me faz lembrar as palavras de S. Tiago em sua carta:

“A fé, se não tiver obras, está totalmente morta”. (Tg 2,17). Será que durante o ano, chegando ao fim, fiquei apenas no plá, plá, plá, justificando os meus atos, como aconteceu na parada do sinal? Meu amigo e minha amiga: veja também, no término do ano, como se encontra a sua caminhada. Façamos uma limpeza nos armários de nossas casas e de nossas vidas, levando um pouco a quem precisa.

José Adriano Gonçalves

Missionário Leigo Redentorista – Unidade Santo Afonso, Rio de Janeiro. Autor do livro “Caminhar com Maria para seguir Jesus”.

Fonte: Cantinho Católico

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