Não se despedace para manter os outros inteiros

Embora não seja ruim se entregar pelos outros, temos que nos assegurar de que este ato é recíproco e, devemos aprender a não nos sentirmos mal quando não podemos atender às suas necessidades.

Quantas vezes você já se partiu em pedaços pelos outros? É muito comum, especialmente entre nós mulheres. Queremos cumprir de qualquer maneira todas as necessidades dos outros para proporcionar bem-estar e felicidade.

Tudo isso nos dá nobreza, especialmente porque o fazemos por livre-arbítrio e é assim que nós entendemos que é o amor, o que é amar nossos parceiros, filhos ou amigos. E, além disso, nós não esperamos nada em troca.

Agora… Você é uma daquelas que realmente pensa que não merece nada em troca por seus esforços diários? Hoje, em nosso espaço nós convidamos você a refletir sobre isso.

Quando o nosso coração é quebrado em pedaços pelos outros, caímos em pedaços quase todos os dias, e não percebemos. Chega um momento em que, quem faz isso ao longo de sua vida, está consciente das graves carências que o seu coração sofre.

Para ter uma ideia do que significa “nos despedaçarmos”, deixemos de lado a parte simbólica para entender ilustrativamente:

Quando priorizamos os desejos de nosso parceiro por sobre os nossos. Isso é algo que podemos fazer uma, duas, três vezes, mas o que acontece quando a outra pessoa tem certeza que vamos sempre fazer?

Quando algum familiar usachantagem emocional ou vitimização para receber ajuda constante, fazer-lhes favores e tarefas.

Quando nos deixamos levar por essas amizades tóxicas, por vezes, acostumadas a contar seus sofrimentos diários sem se preocuparem, em nenhum momento, em saber como estamos ou o que pensamos e sentimos.

Retardar a cada dia o que gostamos de fazer, porque os outros sempre têm precedência.

Você vê que é muito complicado de reconhecer? Porque… Como dizer a nós mesmos que vamos parar de cuidar das outras pessoas para fazer o que nós gostamos? A chave é o equilíbrio.

Se não priorizarmos apenas um dia, mas um mês após outro, vai chegar um momento em que perderemos a nossa identidade. A essência que nos define em nossos gostos, paixões, sonhos e autoestima.

Você tem o direito de esperar reciprocidade

Algumas pessoas têm uma ideia errada do que são os relacionamentos afetivos, incluindo a amizade. Todo relacionamento não é somente uma interação, é uma troca afetiva e satisfatória, onde ambas as partes oferecem afetos, informação eenergias por igual.

Qualquer relacionamento que se baseia em uma direção, no “eu dou, eu atendo, eu me importo, eu me ofereço…” acaba ferido e muito carente.
Nós, seres humanos, como seres sociais e emocionais, precisamos ser reconhecidos como pessoas que devem receber todo tipo de atenção e afetos. O reconhecimento nos posiciona no mundo, e isso é algo que precisamos, crianças e adultos…

É comum que, quando amamos alguém, nem se quer pensemos duas vezes em dar tudo à outra pessoa.

É o que a psicologia popular entende por síndrome de Wendy, em que uma das partes implicadas deixa de viver pela outra pessoa procurando sua felicidade, deixando de lado a sua própria autoestima.

O direito à reciprocidade: ninguém é egoísta por esperar algo em troca

Não se engane: esperamos que os outros também nos levem em conta não é seregoísta. A reciprocidade é a base das relações sociais e, como tal, nós devemos praticá-la e, por sua vez, recebê-la.

A reciprocidade é dar e oferecer, é reconhecer e ser reconhecido


A reciprocidade é ter o direito de dizer “não posso”, “agora não é possível” ou “não desejo fazer,” porque sabemos que a outra pessoa nos entende e entende que nem sempre vamos estar disponíveis e que nós temos necessidades próprias.

Você tem o direito de recusar, de dizer não. E nem por isso você não é uma pessoa má ou egoísta. Ninguém tem o direito de se sentir ofendido, porque não entendem que você também precisa de seu espaço pessoal, onde ser você mesma; se for assim é porque que não levam você em consideração.

Se formos cedendo todos os dias em todos estes aspectos, vai chegar um momento em que nos sentiremos frustradas. A frustração leva à insatisfação e a insatisfação à infelicidade.

No momento em que somos conscientes desta infelicidade, corremos o risco de ter depressão. Se você não tiver esse equilíbrio interior, aquele bem estar que nos dá força e integridade, será muito difícil continuar respeitando os outros. Continuar oferecendo felicidade .

Lembre-se sempre que para dar o melhor de nós mesmos precisamos estar bem. E para estar bem, nós precisamos ser reconhecidos como pessoas, que nos respeitem e que nos consideram.

Ninguém é egoísta por si só. Isso se chama integridade, se chama amar a si mesmo, algo que deveríamos cultivar todos os dias de nossas vidas.






Uma revista a todos aqueles que acreditam que a verdadeira paz é plural. Àqueles que desejam Pazes!