Por Redação da Revista Pazes

A frase que dá título à presente reflexão é de Claudio Naranjo (1932) psiquiatra chileno, pioneiro em psicologia transpessoal e criador do Programa SAT, concentra seu discurso na importância de mudar as prioridades ao ensinar. Para ele, a primeira coisa é o autoconhecimento.

Desde o final dos anos noventa, como informa em sua “autobiografia”, Naranjo tem proferido muitas conferências sobre Educação e procurado influenciar na transformação do sistema educativo em vários países. Ele parte da ideia de que “nada é mais esperançoso a respeito da revolução social do que o fomento coletivo da sabedoria individual, a compaixão e a liberdade”. Em seu livro Mudar a Educação para Mudar o Mundo, publicado no Brasil pela Verbena Editora, tem sido referências aos educadores e professores como “um plano de estudos suplementares” de autoconhecimento, reparação das relações e cultura espiritual.

Segundo Naranjo: “Se quisermos melhorar nossa sociedade, precisamos de pessoas mais completas. Isso é algo que só terá êxito se  mudarmos a educação”, afirmou ao El País. Ele de fato acredita que não se trata de utopia implementar uma educação libertadora e, a partir do autoconhecimento, da aucompreensão de si mesmo, também curativa.

Para o psiquiatra: “Cada ser humano tem duas forças antagônicas em seu interior. Um é o falso eu, mais conhecido como ego ou personalidade, relacionado à ignorância, inconsciência, egocentrismo, insatisfação e medo. O outro é o verdadeiro eu , nossa verdadeira essência e está conectado com sabedoria, consciência, bem-estar e amor incondicional. Qualquer pessoa que não esteja em contato com sua essência está em processo de desumanização, pois pouco a pouco esquecem e marginalizam seus verdadeiros valores, o que afeta sua maneira de pensar, viver e se relacionar com os outros”. (El País)

Ele aponta, contudo, um grande entreve à educação curativa e humanista. Para ele, “o mecanismo do sistema monetário só está interessado em manter as coisas como estão, incluindo os 40 conflitos armados que existem hoje e que geram tanto dinheiro para a indústria global de armas”. Por essa razão, afirma, “líderes como os irmãos Kennedy, Gandhi, Luther King e muitos outros foram mortos”.

A Educação curativa estaria embasada nos ditames dos maiores sábios da humanidade: “Todos os grandes sábios da humanidade, como Buda, Lao Tzu, Jesus Cristo ou Sócrates, ter dito o mesmo: o sentido da vida é para aprender a transcender nosso egoísmo e auto – centralização para que possamos ver os outros e ao meio ambiente ela nos envolve como parte de nós mesmos”.

Em dias como os que hoje vivenciamos, quando a educação pública é sucateada e denegrida exatamente por aqueles que deveriam cuidar dela, Naranjo se torna cada vez mais fundamental em nosso país. Educar para a libertação, a partir da autolibertação e autoconhecimento é a única verdadeira e eficaz resistência à desumanização que norteia o nosso tempo.

Claudio Naranjo | Educação do Século XXI | Conversas do Futuro / 1+ 1 31 mentes pensando no futuro, futuro Congresso. Página 70.

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