
A Federação Mexicana de Futebol lançou uma campanha para tentar mudar o comportamento de parte da torcida antes da Copa do Mundo de 2026. A mensagem é direta: a “ola” continua, o grito discriminatório não.
A ação recebeu o nome de “A ola, sim, o grito, não” e busca incentivar os torcedores a apoiarem a seleção mexicana sem reproduzir cânticos homofóbicos nos estádios.
A iniciativa conta com a participação de ex-jogadores e personagens ligados ao elenco mexicano da Copa de 1986, torneio que também foi realizado no país e ajudou a popularizar a tradicional “ola” nas arquibancadas.
Uma tradição que a federação quer preservar
A “ola” se tornou uma das imagens mais conhecidas das torcidas mexicanas. O movimento coletivo, feito por torcedores que se levantam em sequência, ganhou força mundial justamente durante a Copa de 1986.
Agora, a Federação Mexicana tenta usar esse símbolo positivo como alternativa a um comportamento que há anos causa problemas para a seleção.
A ideia da campanha é simples: incentivar a festa, o apoio e a energia da torcida, mas sem ofensas discriminatórias.
O grito que virou problema recorrente
Nos últimos anos, a torcida mexicana ficou marcada por um grito homofóbico direcionado principalmente aos goleiros adversários em cobranças de tiro de meta.
A prática já levou a multas, advertências e paralisações de partidas. Durante a Copa de 2018, na Rússia, o México foi multado pela Fifa após o comportamento de torcedores na estreia contra a Alemanha.
Na Copa do Catar, em 2022, a punição voltou a ocorrer. A Federação Mexicana recebeu multa de 100 mil francos suíços e ainda foi punida com jogo de portões fechados por causa de cantos ofensivos registrados durante a competição.
O alerta antes do Mundial
A preocupação aumentou porque o México será um dos países-sede da Copa do Mundo de 2026, ao lado de Estados Unidos e Canadá.
Segundo a Reuters, a Fifa também determinou o fechamento parcial do estádio Cuauhtémoc, em Puebla, para o amistoso entre México e Gana, como punição por cantos discriminatórios ouvidos em partidas anteriores da seleção mexicana.
A medida mostra que o tema segue sendo acompanhado de perto pela entidade máxima do futebol. Mais do que evitar novas multas, a campanha tenta impedir que a seleção e a imagem do país sejam prejudicadas durante o maior torneio do mundo.
Um episódio envolvendo o Brasil
O problema também apareceu em um amistoso contra a seleção brasileira em 2024, disputado nos Estados Unidos.
Na ocasião, os gritos foram direcionados ao goleiro Alisson. O jogo chegou a ser paralisado no segundo tempo, e uma mensagem foi exibida no telão pedindo que a torcida mexicana interrompesse as ofensas.
O episódio reforçou a pressão para que medidas mais firmes fossem adotadas antes do Mundial.
Torcer sem discriminar
A campanha da Federação Mexicana tenta separar duas coisas: a paixão da torcida e o preconceito.
Torcer, cantar e fazer festa fazem parte do futebol. Mas expressões discriminatórias, mesmo quando tratadas por alguns como “tradição” ou “brincadeira”, têm impacto real e podem transformar o estádio em um ambiente hostil para muitas pessoas.
Esse é o ponto central da mensagem: é possível apoiar a seleção com intensidade sem reproduzir ofensas.
O desafio para a Copa
O México está no Grupo A da Copa do Mundo, ao lado de África do Sul, Coreia do Sul e República Tcheca. A estreia será contra a seleção africana, em 11 de junho, no Estádio Azteca.
Até lá, a Federação Mexicana terá uma missão que vai além da preparação dentro de campo: convencer sua própria torcida de que a festa nas arquibancadas pode continuar, mas precisa mudar de tom.
A Copa de 2026 será uma oportunidade para o México mostrar sua força como país-sede. E, para isso, o comportamento nas arquibancadas também fará parte do jogo.

