A morte de um adolescente de 14 anos no interior da Bahia ganhou repercussão internacional depois que veio à tona um relato incomum feito pelo próprio garoto durante sua internação: ele havia macerado uma borboleta, misturado os restos do inseto com água e aplicado o líquido na própria perna usando uma seringa.
O caso aconteceu em Planalto, no sudoeste da Bahia, em fevereiro de 2025. Inicialmente, algumas publicações chegaram a relacionar o episódio a um possível desafio ou experimento encontrado na internet. Essa hipótese, porém, não foi confirmada. Meses depois, informações da investigação indicaram que a possibilidade de participação em um desafio online havia sido descartada, já que, segundo a delegada responsável pelo caso, o adolescente não possuía celular. A motivação para a atitude permaneceu sem explicação.
Davi Nunes Moreira começou a apresentar problemas de saúde dias antes de morrer. O pai percebeu que o filho estava mancando e perguntou o que havia acontecido. Naquele momento, o adolescente afirmou que tinha machucado a perna enquanto brincava.
O quadro piorou. Davi passou a apresentar sintomas como vômitos, febre e inchaço na perna, segundo informações divulgadas posteriormente sobre a investigação. Ele foi levado para atendimento médico em Planalto e permaneceu hospitalizado. Com o agravamento de seu estado de saúde, acabou transferido para o Hospital Geral de Vitória da Conquista.
Foi durante o atendimento que surgiu a informação que mudou os rumos da apuração. Davi relatou à equipe médica que havia amassado uma borboleta, misturado os restos com água e injetado a preparação na perna direita. Uma seringa associada ao episódio também foi encontrada pelo pai sob o travesseiro do adolescente e entregue às autoridades.
O garoto morreu após dias de internação.
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Médicos levantaram diferentes hipóteses
Logo após o caso se tornar público, especialistas alertaram que não era possível afirmar que alguma substância tóxica produzida pela borboleta tivesse provocado diretamente a morte.
O infectologista Luiz Fernando D. Relvas explicou ao VivaBem, do UOL, que diferentes mecanismos poderiam estar envolvidos. Entre as possibilidades estavam infecção causada pela contaminação da mistura, reação alérgica e até uma embolia provocada pela entrada de ar durante a aplicação. Sem conhecer a preparação exata, a quantidade aplicada e o material presente na seringa, não seria possível determinar o que aconteceu apenas pelas circunstâncias relatadas.
A hipótese de infecção ganhou atenção porque a aplicação direta de material biológico não esterilizado pode introduzir bactérias e outros microrganismos nos tecidos.
André Victor Lucci Freitas, professor titular do Instituto de Biologia da Unicamp e coordenador do Laboratório de Borboletas da universidade, afirmou ao UOL que seria pouco provável que uma toxina natural do inseto, isoladamente, fosse responsável pelo quadro. Para o pesquisador, uma possível contaminação por microrganismos presentes no inseto ou no material utilizado representava um risco importante.
Mesmo borboletas capazes de acumular substâncias usadas como defesa contra predadores não devem ser automaticamente consideradas letais para seres humanos. Além disso, a espécie envolvida no episódio de Davi não chegou a ser identificada publicamente.
Laudo não conseguiu determinar a causa da morte
A Polícia Civil da Bahia abriu investigação por meio da 1ª Delegacia Territorial de Vitória da Conquista. O corpo do adolescente passou por perícia, enquanto exames complementares foram solicitados para tentar esclarecer exatamente o que provocou sua morte.
Em abril de 2025, dois meses depois do episódio, o resultado do laudo cadavérico trouxe uma resposta inconclusiva: a causa da morte foi considerada indeterminada. Na ocasião, a Polícia Civil informou que aguardava exames complementares.
A investigação foi encerrada em junho daquele ano. Segundo a Polícia Civil, mesmo após os procedimentos periciais, não foi possível estabelecer uma causa definitiva para o óbito. O inquérito foi concluído e encaminhado à Justiça, enquanto os detalhes dos exames toxicológicos realizados não foram divulgados publicamente.
Assim, embora esteja documentado que Davi relatou ter injetado na perna uma mistura preparada com restos de uma borboleta antes de adoecer, as autoridades não estabeleceram oficialmente que uma toxina do inseto tenha provocado sua morte. Também não ficou comprovado que a atitude tenha sido motivada por um desafio viral da internet.
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