Não raro os religiosos e/ou políticos se acampam discursos reacionários e ultra-conservadores, rogando por punições mais severas diante de comportamentos que seu grupo rechaça. Contudo, o ato de jogar pedras muitas vezes os fazem se esquecer de que seus telhados também são de vidro. Foi o que ocorreu a um líder religioso e político na Indonésia.
Conforma publicado pelo R7, Um homem na Indonésia ajudou a criar uma lei contra adultério e foi punido publicamente com chibatadas depois de ser flagrado tendo um caso com uma mulher casada.
Mukhlis bin Muhammad, de 46 anos, apontado como um dos responsáveis pela aprovação da lei que pune corporalmente a prática do adultério, recebeu 28 chibatadas quinta-feira (31). Informam ainda que a sua amante, cujo nome não foi divulgado, apanhou 23. O casal foi flagrado ainda em setembro enquanto estavam dentro de um carro estacionado perto de uma praia turística.
Em Aceh, região da Indonésia em que se deram os fatos, além de adultério, homossexualidade, beber álcool e fazer apostas também são proibidas e passíveis de punição física.
Graças à lei que ele ajudou a validar, Muhammad foi o primeiro a ser chibatado desde 2005, e fazia parte do Conselho de Aceh Ulema. Agora, ele será expulso do partido.
Cabe-nos sempre refletir acerca da ineficácia, bem como da desumanidade das punições corporais. A humanidade precisa aprender a valorar o humano, respeitando-o a despeito de suas boas ou más qualidades. Colocar-se no lugar do outro de modo empático, sabedores de que estamos todos sujeitos a falhas e a equívocos diversos: isso humaniza o mundo e que vivemos e poderia evitar que fatos como este ainda fossem noticiados em nossos dias.
Créditos capa: Reuters via TV REUTERS
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