O professor Leandro Karnal não se furtou à análise da série mais comentada no momento, em cartaz na Netflix. Trata-se da coreana Round 6, série que tem causado grandes discussões e forte impacto nas redes sociais.

Maior audiência da história da Netflix com mais de 111 milhões de telespectadores, a série sul-coreana Round 6 (Squid Game no título original) gerou comentários na vizinha Coreia do Norte.

Para se ter uma ideia da situação, site norte-coreano elogiou a produção e diz que ela mostra que “a corrupção e os canalhas imorais são comuns no país”. Outro comentário foi que a produção retrata a “triste realidade da bestial sociedade sul-coreana”.

Nas redes sociais, muitos debates são travados em torno do tema e já tivemos até parlamentar brasileiro dizendo que a série é uma “crítica ao socialismo”, o que causou grande espanto aos fãs e espectadores da trama.

Abaixo, quem comenta é um professor cuja intelectualidade é inequívoca. Com a palavra, Leandro Karnal:

ROUND 6- Parte 1
Se você não viu, evite ler. Impossível analisar sem dar algumas pistas do enredo. Logo, ALERTA DE ALGUM SPOILER.

A série coreana é uma metáfora do capitalismo. Pessoas endividadas que ficaram sem significado social e podem tentar apenas uma saída mágica (são jogos, mas poderia ser loteria etc). No caso da Coreia, ressalta-se a necessidade de amparar os pais idosos, algo forte na cultura oriental. Ao longo da narrativa engenhosa e violenta, reproduzimos jogos infantis, como se a vontade de ter no presente pudesse responder a um anseio negado na infância. Mais: a punição por não cumprir regras é a morte. Ora, os que estavam ali, não cumpriram regras antes e isto pode ser um campo de reeducação.

Os homens que não souberam guardar dinheiro ou ganhar mais são, de muitas formas, infantilizados. A vontade de dinheiro é universal e atinge o sujeito bem formado, a fugitiva da Coreia do Norte, o vagabundo clássico e todas as personagens possíveis. Significativo que o dinheiro do prêmio esteja em um porquinho feliz, ideia infantil de poupança.

Por fim, para fechar a primeira de algumas análises, os organizadores dos jogos executam quem tenta revelar segredos prévios da disputa e ressaltam o caráter igualitário da concorrência. É uma metáfora da ideia de isonomia e da justiça do que está em jogo.” Do Facebook



ROUND 6- Parte 2

Se você não viu, evite ler. Impossível analisar sem dar algumas pistas do enredo. Logo, ALERTA DE ALGUM SPOILER.
Seong Gi-Hun é a personagem principal vivida pelo ator Lee Jung-jae (nascido em 1972). Ele se transforma ao longo dos capítulos: começa como um derrotado que engana a mãe e nada paga de pensão para a filha, aposta em cavalos, deve a agiotas e, lentamente, dentro dos jogos ele vai demonstrando solidariedade e consciência. Ele ajuda um idoso (Oh Il-nam) , uma refugiada norte-coreana (Kang Sae-byeok) e um paquistanês (Abdul Ali).

Em Gi-Hun concentra-se a consciência que aumenta (nossa e dele): a situação dada é hobbesiana (a luta de todos contra todos), mas pode existir compaixão. O dilema da natureza humana cresce ao final, na cena curiosa do mendigo que está congelando na rua em Seul: existirá alguém que virá em seu auxílio?

Na mesma medida em que o antigo canalha (Gi-Hun) demonstra caráter (mantendo ambiguidades) , seu amigo de infância (Cho Sang-woo feito pelo ator Park Hae-soo) diminuiu moralmente. A dor e as provas vão purificando Gi-Hun do seu egoísmo e produzem, em Sang-woo, o efeito contrário.

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