Saúde

Jovem de 23 anos desenvolve condição rara chamada “síndrome da cabeça caída” por causa de hábito ridículo

Um caso médico registrado no Irã chamou a atenção por uma associação pouco comum entre o uso prolongado de drogas e uma deformidade grave na coluna cervical. O paciente, um jovem de 23 anos, chegou ao hospital com a cabeça permanentemente inclinada para a frente, a ponto de o queixo ficar muito próximo do peito.

O quadro vinha se agravando havia cerca de 15 meses e era acompanhado por dor crônica no pescoço, limitação dos movimentos e formigamento nos braços. Exames mostraram uma deformidade acentuada envolvendo vértebras cervicais, condição compatível com a chamada síndrome da cabeça caída, ou dropped head syndrome.

O caso foi descrito por médicos em um artigo publicado em abril de 2025 na revista científica Clinical Case Reports. Segundo os autores, o jovem tinha histórico de uso de heroína, ópio e anfetaminas. Antes do período de dependência, não havia registro de deformidade semelhante em seu pescoço.

A posição mantida durante o uso de drogas teria causado o problema

Os médicos não concluíram que as drogas tenham deformado diretamente os músculos ou os ossos do paciente. A explicação apresentada no estudo é mais incomum.

Após consumir anfetaminas, o jovem permanecia durante períodos prolongados com a cabeça inclinada para a frente. A repetição dessa postura ao longo dos meses teria provocado alterações progressivas no alinhamento da coluna cervical, até resultar em uma cifoescoliose severa e praticamente fixa.

Majid Rezvani, um dos autores do relato, explicou que o efeito seria indireto: a substância levava o paciente a permanecer durante muito tempo na mesma posição, e essa postura repetida acabou provocando alterações musculoesqueléticas.

A tomografia revelou deformidade grave nas vértebras C3, C4 e C5, além de alterações degenerativas. Os exames, entretanto, não mostraram fraturas nem estreitamento significativo do canal vertebral. A ressonância magnética também confirmou a cifoescoliose cervical.

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O que é a síndrome da cabeça caída

A síndrome da cabeça caída é caracterizada pela dificuldade de manter a cabeça na posição normal, geralmente relacionada à fraqueza dos músculos responsáveis pela extensão do pescoço. Ela pode aparecer associada a diferentes doenças neuromusculares e alterações da coluna.

No caso do jovem iraniano, porém, os pesquisadores não encontraram histórico de trauma cervical, cirurgia anterior ou outra doença que explicasse adequadamente uma deformidade daquela intensidade. Por isso, relacionaram a evolução do quadro ao comportamento repetitivo durante o uso de drogas.

Além da alteração visível na postura, o paciente apresentava redução da força nos membros superiores e parestesia, sensação que pode incluir dormência, formigamento e as conhecidas “agulhadas”. Ele havia tentado tratamentos tradicionais e fitoterápicos antes de procurar atendimento especializado, sem melhora.

Cirurgia foi realizada em três etapas

Diante da gravidade e da rigidez da deformidade, a equipe decidiu realizar uma cirurgia complexa em três etapas durante a mesma anestesia.

Os médicos trabalharam pelas regiões posterior e anterior do pescoço para liberar estruturas comprometidas, corrigir parcialmente o alinhamento e estabilizar a coluna com fixação. O procedimento incluiu descompressão, retirada de partes de estruturas vertebrais e instalação de material para manter a coluna na posição corrigida.

O acompanhamento descrito pelos pesquisadores indicou que o paciente continuou recebendo assistência psiquiátrica após a alta e conseguiu interromper o uso das drogas. Os autores propuseram chamar esse conjunto específico de alterações relacionadas ao abuso de substâncias de “intoxicated syndrome”, embora se trate da denominação sugerida pelos próprios pesquisadores a partir de um único relato de caso, e não de um diagnóstico médico amplamente estabelecido.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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