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Objeto encontrado na cozinha da vovó parece uma arma, mas tem uma função bem diferente

Uma peça metálica encontrada durante a limpeza da casa da avó foi suficiente para provocar uma pequena investigação coletiva na internet. Com formato pontiagudo e bastante diferente dos acessórios encontrados nas cozinhas atuais, o objeto deixou muita gente tentando descobrir para que ele servia.

A fotografia foi publicada no Reddit em agosto de 2020. O autor explicou que havia encontrado o utensílio na cozinha da avó e suspeitava que pudesse ser algum tipo de abridor de latas, embora não conseguisse entender exatamente como ele deveria ser usado.

A dúvida faz sentido para quem cresceu cercado por latas com anéis de abertura ou pelos abridores modernos com rodas e manivelas. O objeto, no entanto, pertence a uma geração anterior de utensílios domésticos: trata-se de um modelo antigo de abridor manual de latas.

Seu funcionamento exigia bem mais participação de quem estava interessado no conteúdo da embalagem. A ponta era introduzida no metal e, a partir daí, o usuário avançava ao redor da tampa aos poucos, cortando a lata por meio de movimentos repetidos.

O método funcionava, mas tinha uma desvantagem pouco convidativa: podia deixar bordas metálicas bastante afiadas. Nas discussões sobre utensílios desse tipo, usuários costumam recordar cortes sofridos durante o uso, uma consequência perfeitamente possível de um mecanismo que dependia de uma lâmina atravessando manualmente uma folha de metal.

As latas surgiram antes dos abridores

O curioso é que a necessidade de armazenar alimentos em recipientes metálicos apareceu bem antes de alguém criar uma ferramenta específica e relativamente prática para abri-los.

As primeiras latas de ferro revestidas com estanho foram patenteadas na Inglaterra em 1810 por Peter Durand. Na época, as embalagens eram resistentes e podiam exigir instrumentos nada delicados, como martelos e talhadeiras, para chegar ao alimento.

Somente décadas depois surgiu um abridor desenvolvido especificamente para essa tarefa. Em 5 de janeiro de 1858, o norte-americano Ezra J. Warner patenteou um modelo com uma lâmina destinada a cortar a tampa. A ferramenta avançava pelo metal e podia deixar uma borda irregular e cortante. Ela chegou a ser utilizada pelo Exército dos Estados Unidos durante a Guerra Civil Americana e também apareceu em estabelecimentos comerciais, onde funcionários abriam algumas latas para os clientes.

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Em 1870, William W. Lyman apresentou outra solução. Seu abridor utilizava um cortador rotativo preso a uma estrutura ajustável, que girava ao redor da tampa. A patente norte-americana do sistema foi concedida em 12 de julho daquele ano.

Ainda assim, o utensílio que hoje seria imediatamente reconhecido como um abridor convencional demoraria algumas décadas para aparecer. Os mecanismos com roda dentada e funcionamento semelhante aos modelos atuais se difundiram no início do século 20. Em 1926, Charles A. Bunker patenteou um abridor cujo princípio já se aproximava bastante daquele encontrado em muitas cozinhas posteriormente.

A própria indústria de embalagens acabaria reduzindo a dependência desses utensílios. Sistemas com pequenas chaves metálicas passaram a ser incorporados a algumas latas, especialmente de peixes e carnes, permitindo enrolar uma faixa do recipiente para abri-lo. Soluções desse tipo já existiam no século 19 e continuaram sendo usadas por décadas.

Mais tarde vieram os mecanismos de abertura fácil e os anéis presos à tampa, hoje tão comuns que uma ferramenta como a encontrada na casa da avó pode parecer um objeto de finalidade completamente desconhecida.

Talvez por isso utensílios antigos de cozinha continuem rendendo discussões desse tipo nas redes sociais. Para algumas pessoas, são peças estranhas descobertas no fundo de uma gaveta. Para outras, são imediatamente reconhecíveis e, em certos casos, vêm acompanhadas da lembrança pouco nostálgica de alguma borda de lata afiada demais.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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