Durante boa parte dos anos 1970, Brian Connolly foi um dos rostos mais reconhecíveis do glam rock britânico. Cabelos loiros penteados para trás, presença de palco marcante e uma voz que ajudou a transformar o Sweet em uma das bandas mais populares da década fizeram dele um verdadeiro ídolo juvenil.
O grupo emplacou sucessos como Block Buster!, Ballroom Blitz, Fox on the Run e Love Is Like Oxygen. Segundo a Official Charts, o Sweet colocou 15 singles no Top 40 britânico, dez deles entre os dez primeiros lugares, e chegou ao topo da parada com Block Buster! em 1973.
No auge da fama, o Sweet vendeu dezenas de milhões de discos. Um obituário publicado pelo The Independent após a morte de Connolly estimou as vendas do grupo em mais de 50 milhões de cópias.
A vida do cantor, porém, tomou um rumo muito diferente depois que ele deixou a banda.
Do sucesso com o Sweet à tentativa de carreira solo
Brian nasceu em Hamilton, na Escócia, em 5 de outubro de 1945. Ainda bebê, foi deixado pela mãe e acabou criado por outra família. Anos depois, já adulto, soube da possível ligação familiar com o ator escocês Mark McManus, conhecido pela série policial Taggart.
Na década de 1960, Connolly começou a se destacar como cantor e, em 1968, participou da formação do grupo que acabaria conhecido como Sweet. A consolidação veio no início dos anos 1970, quando a banda assinou com a RCA e passou a trabalhar com os compositores Nicky Chinn e Mike Chapman.
O visual extravagante associado ao glam rock ajudou o grupo a ganhar espaço na televisão, mas o Sweet também desenvolveu uma sonoridade progressivamente mais pesada, especialmente quando seus integrantes começaram a assumir maior controle sobre as próprias composições.
Connolly se tornou a figura mais visível da formação. O cabelo loiro cuidadosamente arrumado e a aparência de galã faziam dele presença constante nas revistas voltadas ao público adolescente.
Em 1979, entretanto, ele deixou o Sweet e tentou seguir carreira solo. A nova fase não repetiu os resultados comerciais da banda. Seu primeiro trabalho solo não conseguiu colocá-lo novamente nas principais posições das paradas.
A essa altura, seus problemas pessoais e de saúde começavam a se acumular.
Uma sequência devastadora de problemas cardíacos
Em 1981, Connolly foi internado e sofreu uma série de episódios cardíacos que deixaram consequências permanentes. O número exato, curiosamente, varia conforme o relato.
Em uma entrevista concedida ao jornalista Jasper Rees em 1996, surgiu a versão de que sua ex-mulher afirmava que ele havia sofrido 13 ataques cardíacos em apenas 24 horas. O próprio Connolly contestava essa contagem e dizia que os episódios haviam ocorrido ao longo de cerca de seis semanas.
Outra reportagem retrospectiva do The Guardian registrou que ele teria sofrido 14 paradas cardíacas em 24 horas. A divergência deixa claro que o episódio foi recontado de formas diferentes ao longo dos anos. O ponto em comum entre as fontes é que sua saúde ficou profundamente comprometida.
Connolly passou a apresentar dificuldades de fala, tremores e paralisia parcial do lado esquerdo do corpo. Depois dos problemas cardíacos, precisou inclusive reaprender aspectos da fala e passar por terapias de recuperação.
Os problemas físicos vieram justamente quando sua situação financeira também se deteriorava.
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Ele vendeu a casa para pagar uma enorme cobrança de impostos
No início dos anos 1980, Connolly e os antigos integrantes do Sweet receberam uma cobrança milionária do fisco britânico relacionada ao dinheiro obtido com os sucessos da banda.
Para quitar sua parte da dívida, o cantor vendeu a própria casa. A informação aparece em registros biográficos posteriores sobre sua carreira.
Há relatos de que, nos anos seguintes, ele chegou a viver em uma moradia social, situação bastante distante do padrão de vida que conhecera durante o auge do Sweet. Uma reportagem retrospectiva descreveu Connolly vivendo em um apartamento público e fazendo apresentações menores para complementar a renda.
É justamente daí que vem a ideia de que ele terminou a vida vivendo em um “gueto”, usada no título original em inglês como referência a uma área de habitação popular. Em termos mais precisos para o contexto britânico, tratava-se de uma moradia vinculada ao sistema público de habitação, e não necessariamente de um gueto no sentido mais comum da palavra.
Mesmo com os problemas físicos, Connolly continuou trabalhando.
A partir de 1984, voltou a excursionar com uma nova formação, inicialmente chamada New Sweet. Posteriormente, o grupo passou a se apresentar como Brian Connolly’s Sweet, enquanto o guitarrista Andy Scott mantinha sua própria versão da banda.
As apresentações, porém, já estavam muito distantes das grandes turnês da década anterior. A saúde de Connolly limitava sua rotina e, durante uma passagem pela Austrália, ele chegou a ser hospitalizado por desidratação.
Seus últimos anos foram registrados em um documentário
Na década de 1990, o contraste entre o Brian Connolly dos tempos do Sweet e o homem que aparecia diante das câmeras era evidente.
O documentário Don’t Leave Me This Way, exibido pelo Channel 4, acompanhou parte desse período. Connolly aparecia com dificuldades para caminhar, tremores visíveis e tentando continuar trabalhando em apresentações menores. O registro chamou atenção justamente porque mostrava uma realidade muito diferente da imagem do cantor que lotava shows duas décadas antes.
Ele ainda lançou o álbum solo Let’s Go em 1995 e continuou se apresentando praticamente até o fim da vida.
Seu último show ocorreu em dezembro de 1996. Pouco tempo depois, voltou a enfrentar problemas graves de saúde.
Brian Connolly morreu em fevereiro de 1997, aos 51 anos. O The Independent, na ocasião, informou que a causa imediata foi insuficiência renal e destacou que o cantor já enfrentava uma longa sequência de problemas cardíacos desde 1981.
A trajetória terminou de maneira quase irreconhecível diante do cenário vivido pelo Sweet pouco mais de duas décadas antes: uma banda milionária, dezenas de milhões de discos vendidos e um vocalista que havia se tornado um dos rostos mais conhecidos do glam rock britânico.
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