Homem genial resolve casos que outros médicos não conseguem solucionar em série de suspense

Tem série policial que começa no interrogatório. Harrow começa no silêncio de uma sala de autópsia — e é aí que ela ganha vantagem: o corpo “conta” detalhes que ninguém em volta quer ouvir, principalmente quando esses detalhes batem de frente com interesses da própria polícia.

No Disney+, a produção acompanha o Dr. Daniel Harrow, médico patologista forense da polícia de Brisbane, na Austrália, e faz do trabalho técnico (e às vezes bem desconfortável) o motor do suspense.

Harrow, vivido por Ioan Gruffudd, tem o tipo de inteligência que irrita chefes: ele não aceita explicação pronta, não engole relatório “bonitinho” e costuma puxar a investigação para onde ninguém quer que ela vá.

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O texto do Disney+ define bem a pegada: ele resolve casos que outros médicos não conseguem, enquanto um segredo do passado ameaça carreira e família.

Isso dá ao personagem um ritmo próprio — ao mesmo tempo em que ele abre um crime por episódio, ele também está sempre um passo perto de se complicar por motivos pessoais.

A estrutura é de procedural (casos fechando a cada capítulo), mas com um fio contínuo que funciona como “gancho” de maratona.

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O cenário de Brisbane ajuda porque não tenta competir com metrópoles já gastas do gênero: é uma cidade costeira, com porto, luz forte de dia e um contraste interessante quando a história desce para ambientes frios e burocráticos — instituto forense, delegacia, tribunal. E a série usa bem essa alternância: você sai da rua e entra num lugar onde a verdade depende de microscópio, laudo, tempo e paciência.

O grande acerto está em como os episódios não tratam a ciência como enfeite. Quando Harrow chega a uma conclusão, normalmente ela nasce de um detalhe físico, de uma inconsistência em ferimentos, de uma causa de morte que não “fecha” com a versão oficial.

Isso dá satisfação para quem gosta de mistério com pé no chão: a solução aparece porque alguém pensou melhor, não porque caiu uma pista conveniente do céu.

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Ao mesmo tempo, o roteiro mantém a tensão ao colocar Harrow em colisão com figuras de autoridade — e não como “rebeldia charmosa”, e sim como consequência direta de ele insistir no que os fatos mostram.

O elenco de apoio segura bem o jogo e impede que tudo vire monólogo do protagonista. A dinâmica com a polícia, os atritos dentro do instituto e as relações pessoais (incluindo família) entram como pressão extra: Harrow não está só tentando resolver mortes; ele está tentando sustentar a própria vida quando o trabalho começa a engolir o resto.

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E Ioan Gruffudd vende essa mistura de genialidade e teimosia com um carisma meio áspero, daquele tipo que você entende por que dá dor de cabeça em qualquer equipe — mas também entende por que, sem ele, vários casos ficariam do jeito “conveniente”.

Para quem gosta de números: são 3 temporadas, com 10 episódios cada (30 no total), exibidas entre 2018 e 2021. No Disney+, ela aparece classificada como drama/suspense/investigação, e faz sentido: o foco está menos em ação e mais em revelar o que estava escondido nas entrelinhas de cada morte.

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.