“Eu tenho áudios dele dizendo ‘por favor, me tirem daqui! Eu preciso sair daqui, tem gente morrendo! Eu não consigo respirar“‘, relatou a filha Nei Carlos Trindade Júnior, o Chiquinho, tinha 45 anos.

Dos primeiros sintomas da doença até o falecimento de Chiquinho, transcorreram apenas 10 dias.

A filha Larissa relata que o pai ficou na fila de espera por uma vaga de UTI até morrer.

“Ficou cinco dias lúcido e implorando o leito”, lamentou.

Conforme noticiado pelo G1, o caso é mais um observado na semana em que a pandemia avançou no Rio Grande do Sul, com a ocupação dos leitos críticos se aproximando da capacidade máxima. Até às 16h07 desta sexta-feira (26), o índice de lotação das UTIs do estado era de 93,4%. Já em Canoas, a taxa era de 96,5% e 38 pacientes aguardavam um leito de UTI Covid.

Larissa afirmou que os primeiros sintomas do pai se deram de início bem leves, no dia 14 de fevereiro, quando ele apresentou dor de garganta e tosse fraca. Contudo, na madrugada seguinte, começou a ter febre.

“Na terça-feira de manhã [dia 16], a gente levou numa clínica particular. Ele já estava muito mal. Ele fez os primeiros procedimentos na clínica, tomou medicação, voltou para casa. Eles pediram para fazer o teste e levá-lo ao hospital”, relatou Larissa ao G1.

No dia seguinte, familiares levaram Chiquinho para uma unidade de pronto atendimento em Canoas. Como a UPA estava lotada, ele não foi atendido. No dia 18, já com falta de ar, ele voltou ao local e conseguiu ser internado.

A situação do paciente foi se agravando com o passar dos dias. Os níveis de oxigênio no organismo de Chiquinho baixaram e ele precisou respirar com ajuda de aparelhos.

O comerciante aguardou por vagas nos hospitais Universitário e Nossa Senhora das Graças, ambos em Canoas, que não tinham mais leitos de UTI disponíveis. De acordo com a Prefeitura de Canoas, o pedido por uma vaga foi feito no dia 19 e a reserva aconteceu três dias depois. Contudo, com o agravamento do estado de saúde de Chiquinho, ele já não pode ser transportado porque poderia ter uma parada cardíaca durante o traslado.

Na terça-feira, Chiquinho sofreu três paradas cardíacas e morreu. “Havia registro de instabilidade clínica para o transporte do paciente, o que impossibilitou a transferência”, explicou a prefeitura.

Larissa, ao dizer que o pai era uma pessoa absolutamente cuidadosa com relação às normas sanitárias de prevenção à doença, alertou ainda:

“As pessoas precisam ser conscientes. Ele sempre se cuidou, ele era uma pessoa que dizia ‘bota a máscara, lava a mão’. E ele foi a pessoa que pegou e não resistiu”.

Fonte: G1

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