O furacão Idai foi avassalador ao varrer, a partir do dia 14, o centro de Moçambique, avançando para o Zimbábue e Malawi.

Com fortes chuvas e ventos de até 180 quilômetros por hora, o ciclone destruiu estradas, casas, hospitais e escolas. Os serviços de telecomunicações ficaram prejudicados, agravando ainda mais a situação de milhares de desabrigados. As perdas humanas são, ainda, incalculáveis em virtude do difícil acesso às áreas alagadas. Sabe-se, contudo, que centenas encontram-se desaparecidos.

Conforme notícias de Moçambique, já foram contabilizadas, oficialmente (até ontem, 18/03) 84 mortes. Contudo, após sobrevoar algumas áreas alagadas, o presidente Filipe Nyusi alerta que o número de mortos pode superar os 1000.

Ciclone Idai atinge o centro de Moçambique

Fotos que nos foram envidas registram um cenário desolador. Imagens aéreas mostram pessoas ilhadas no alto de construções, em áreas totalmente alagadas:

Zona alagada Distrito de Buzi, em Moçambique
Zona alagada Distrito de Buzi, em Moçambique. Na foto, centenas de pessoas ilhadas.

QUER AJUDAR?

Cruz Vermelha Portuguesa angaria  donativos:

Os donativos para o Fundo de Emergência podem ser transferidos para a conta bancária: PT50 0010 0000 3631 9110 0017 4.

 

Zona alagada Distrito de Buzi, em Moçambique. Milhares de pessoas estão em risco

O presidente afirma que a prioridade é salvar vidas e que “até o momento, cerca de 400 pessoas foram salvas das áreas inundadas”, mas alerta: “As vidas de mais de 100 mil pessoas estão em perigo” e precisam ser resgatadas.

Uma das áreas mais fortemente destruídas pelo furacão é a Cidade da Beira, cidade natal do escritor Mia Couto. Segundo indicou Jamie LeSueur, da Cruz Vermelha Internacional, 90% da Beira ficou destruída com a tempestade.

Em recente correspondência divulgada pelo site Rádio Notícias, Mia se diz quase tão destruído quanto a sua cidade natal: “Na verdade, estou eu quase tão destruído quanto a minha cidade. Estava determinado a ir para a Beira para mergulhar no espírito do lugar e agora, segundo me dizem, quase não há lugar. É como se me tivessem arrancado parte da infância”, afirma o escritor.

Na mencionada correspondência, Mia alerta que não se trata da destruição tão somente de sua cidade da Beira, mas de todo o centro de Moçambique: “Todo o centro de Moçambique está por baixo de água: estradas, casas, torres de energia e de telecomunicações estão destruídas. Não consigo saber dos meus amigos que vivem na Beira. Enfim, sabe bem esse seu abraço”.

Quer ajudar? 

Seja um doador da Médicos Sem Fronteiras que, no momento, tenta retomar o atendimento médico na Beira.

Cidade da Beira

Segue o e-mail no qual o escritor fala  sobre a tragédia que hoje está a assolar o seu país:

“Meu caro

Obrigado pela mensagem. Na verdade, estou eu quase tão destruído quanto a minha cidade. Estava determinado a ir para a Beira para mergulhar no espírito do lugar e agora, segundo me dizem, quase não há lugar. É como se me tivessem arrancado parte da infância. O Zeferino, logo na sua primeira avaliação, me tinha alertado que a Beira era a personagem central do livro. Confesso que estou meio perdido. Esta manhã recebi fotografias da igreja do Macuti que está em ruínas. Aquele edifício está profundamente dentro da minha história. É como se estivesse a escrever a história de um amigo que, entretanto, morresse. E o problema é bem maior que a Beira. Todo o centro de Moçambique está por baixo de água: estradas, casas, torres de energia e de telecomunicações estão destruídas. Não consigo saber dos meus amigos que vivem na Beira. Enfim, sabe bem esse seu abraço.” Mia

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