Literatura

“Epifania”, um sopro e luz e poesia de Maria Rosa Bugarin

Por Nara Rúbia Ribeiro

Há poetas cuja poesia nos abraça. Outros, não. Eles nos abraçam por meio de seus poemas.

Quando abrimos o livro Epifania, de Rosa Maria Soares Bugarin, percebemos que ali não há uma dissumulação ou jogo de palavras. O que vejo é uma alma que, em sua sabedoria, fez um pacto de extrair da vida o néctar da poesia.

O livro, repleto de passados, reflexões e memórias, não se mede por ponteiros de relógio. O que conta para Rosa são os infinitos que ela guarda e resguarda dentro de si: a quintessência dos sonhos, a floração dos sentidos, o encontro com o sol mais belo, por exemplo.

Vez ou outra, a sabedoria de Rosa Bugarin se mostra muito irmada com a sabedoria de Cora, nossa doceira do Rio Vermelho. Em especial, no poema “Simples, assim”:

Queres ser feliz?
Vive!
Vive a humana vida,
na ótica da aceitação.

Queres ser feliz?
Simples, assim.
Ama… Muito… Sempre…
Porque só o amor
edifica pontes,
reveste esperanças,
frutifica benesses,
anula angústias,
inspira o Bem,
nega o peso das solidões,
dignifica nossa humanidade,
em mágicos,luminosos
toques de imortal
divindade…

O livro é um presente a todos nós. Tenho para comigo que a missão mais nobre a um humano é disseminar a sabedoria que, ao longo da vida, aquilatou. Algumas almas dão polimento à sabedoria aquilatada, entregando-a em forma de poesia. Observa estas palavras e medita neste vaticínio de Rosa:

Desejo…
Que o sol aqueça a terra rediviva,
generosamente acalentando almas abertas
na mais profunda concepção da concordância.

(Poema “Humana Ciranda”, pág. 25)

Do poema: Prece de um menino triste, jorra humanidade:

– Quem és tu?
Eu?
Não sou ninguém.
Vês?
Sou quase transparente.
– De onde vens?
Da noite do abandono (…)


E sobre a análises dos tempos, Rosa discorre:

“Há dias que são assim,
nem bons, nem maus
apenas irreverentes”

Nunca saberemos se são bons ou maus os dias que vivenciamos, mas como duvidar que sejam tempos de grande irreverência?

Mas também nestes dias queremos “a sombra de um abraço quente, toque de silente ternura , sem explicar essências”. É isso, Rosa Maria, que a sua poesia nos dá.

Para melhor conhecer o livro, clique aqui:

Imagem de DarkWorkX por Pixabay

Revista Pazes

Uma revista a todos aqueles que acreditam que a verdadeira paz é plural. Àqueles que desejam Pazes!

Recent Posts

Em tempos de inteligência artificial, como preservar a autenticidade nas relações humanas?

Uma mensagem de aniversário, uma declaração de amor ou até um pedido de desculpas podem…

3 dias ago

Teste de percepção: Se você enxergou apenas o soldado, ainda faltam quatro rostos para encontrar nesta imagem

Uma ilustração antiga, com um soldado atravessando uma paisagem de árvores e pedras, esconde um…

6 dias ago

Teste de atenção: Você enxerga uma mulher ou um cavalo? Cada resposta leva a um ponto fraco

Uma ilustração em preto e branco está chamando a atenção por reunir duas figuras em…

6 dias ago

Como ela está hoje? Aos 17 anos, ela conquistou o topo das paradas; depois de brilhar no ABBA, escolheu viver longe dos holofotes

Antes de se tornar uma das vozes mais conhecidas da música pop, Agnetha Fältskog já…

6 dias ago

Medicamentos de alto custo: o que fazer quando o SUS ou o plano de saúde nega o tratamento?

Como advogada que atua na defesa de pacientes contra negativas de planos de saúde, acompanho…

1 semana ago

RELATO: Comprei uma casa na praia, mas meu filho planejava levar cerca de 30 parentes da esposa. Então, tomei esta decisão

Depois de trabalhar durante 45 anos como engenheiro civil, Alberto Ramírez, de 72 anos, decidiu…

2 semanas ago