Ele só queria pescar, mas acabou com um polvo agarrado ao rosto e teve dificuldade para removê-lo

Para um polvo, uma superfície desconhecida pode virar ponto de apoio em questão de segundos. Cada braço do animal é equipado com dezenas ou centenas de ventosas capazes de criar uma aderência surpreendentemente forte. Para um pescador que acabou de retirar um desses animais da água, isso pode transformar uma captura aparentemente comum em um problema bem mais complicado.

Foi exatamente o que aconteceu com o pescador Jesser Cervantes, durante uma pescaria nas proximidades de Puerto Princesa, na província de Palawan, nas Filipinas.

O episódio aconteceu em 10 de julho de 2026 e acabou registrado em vídeo. As imagens ganharam repercussão semanas depois, mostrando Cervantes dentro de uma pequena embarcação de madeira tentando desesperadamente retirar um polvo que havia se agarrado à sua cabeça.

O animal estava praticamente estendido sobre seu rosto.

Seus oito braços envolviam a cabeça do pescador enquanto várias ventosas permaneciam firmemente presas à pele. Em determinado momento, uma delas cobriu sua boca, aumentando bastante o perigo da situação.

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Tirar o polvo com as mãos não funcionou

Cervantes tentou inicialmente resolver o problema da maneira mais óbvia: puxando os braços do polvo e retirando as ventosas uma por uma.

Não adiantou.

O vídeo mostra o pescador fazendo força enquanto o animal continua agarrado ao rosto e ao pescoço. Quanto mais ele tenta afastá-lo, mais difícil parece encontrar um ponto pelo qual consiga removê-lo completamente.

Sem conseguir se libertar usando somente as mãos, Cervantes pegou um pedaço de bambu que estava na embarcação e começou a golpear o polvo. Depois de várias tentativas, conseguiu diminuir a aderência das ventosas e finalmente retirar o animal.

Assim que ficou livre, jogou o polvo de volta ao mar.

Depois do susto, resumiu o encontro de maneira bastante direta:

“O polvo que peguei foi muito difícil de controlar. Quase arrancou meu rosto.”

Por que é tão difícil desgrudar um polvo?

A cena chama atenção justamente porque as ventosas de um polvo estão longe de funcionar como aquelas ventosas de plástico que eventualmente aparecem grudadas no azulejo de um banheiro.

Quando uma ventosa do animal entra em contato com uma superfície, sua borda forma uma vedação. A musculatura interna altera a pressão dentro dessa cavidade, enquanto a pressão externa ajuda a manter a ventosa firmemente presa ao objeto.

É um mecanismo extremamente eficiente para um animal que precisa se segurar em pedras, manipular alimentos, explorar frestas e capturar presas no fundo do mar.

O problema, para Cervantes, é que o mesmo sistema funciona perfeitamente bem sobre a pele humana.

Também não existe necessariamente um único “comando central” controlando detalhadamente cada movimento dos oito braços. O sistema nervoso dos polvos é bastante distribuído, e grande parte de seus neurônios está localizada nos próprios braços.

Isso permite movimentos e respostas locais muito sofisticados. Experimentos já mostraram, por exemplo, que braços de polvo separados do corpo podem continuar reagindo e agarrando objetos durante algum tempo.

Em termos práticosicos, significa que tentar soltar várias ventosas simultaneamente pode virar uma espécie de disputa mecânica bem ingrata.

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O polvo provavelmente estava tentando se defender

Apesar de o vídeo ser frequentemente descrito nas redes sociais como um “ataque”, o comportamento faz sentido dentro de uma situação defensiva.

O animal havia acabado de ser capturado e estava fora da água, em contato direto com o pescador. Polvos usam os braços tanto para explorar o ambiente quanto para se agarrar a superfícies e reagir quando são ameaçados.

Cervantes também afirmou que situações parecidas acontecem durante suas pescarias, já que alguns polvos resistem intensamente depois de capturados.

A diferença, naquele dia, foi o lugar escolhido pelo animal para se prender.

Em vez da lateral do barco, de um equipamento ou dos braços do pescador, ele encontrou justamente o rosto.

E ali suas ventosas funcionaram exatamente como deveriam.

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Gabriel Pietro
Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.