Havia seis meses que cinco irmãos não conseguiam ficar juntos. Eles viviam em três lares de acolhimento diferentes, no estado de Ohio, nos Estados Unidos, e sentiam falta uns dos outros. Quando finalmente conseguiram se reencontrar, ninguém queria que a visita terminasse. As crianças choraram, se abraçaram e tiveram dificuldade para se despedir.
Quem presenciou aquela cena foi Robert Carter, um homem solteiro de 29 anos que, na época, já cuidava de três dos irmãos. Ele havia recebido Robert Jr., Giovanni e Kiontae em sua casa, mas só depois descobriu que os meninos tinham duas irmãs, Marionna e Makayla, acolhidas por outras famílias.
Carter começou a organizar encontros entre as crianças. Bastou observar como reagiam umas às outras para perceber que precisava encontrar uma maneira de reuni-las definitivamente.
A decisão era considerável. Ele trabalhava como cabeleireiro e administrava seu próprio salão de beleza em Cincinnati. Cuidar sozinho de cinco crianças, com idades entre 4 e 10 anos, exigiria mudanças na casa, na rotina e nas despesas. Ainda assim, estava disposto a assumir a responsabilidade.
Havia um motivo bastante pessoal para isso: Robert conhecia a dor de crescer longe dos próprios irmãos.
Uma infância que ajudou a tomar a decisão
Carter era o terceiro mais velho de nove filhos. Ainda menino, por volta dos 12 anos, foi encaminhado ao sistema de acolhimento infantil depois que sua mãe enfrentou dificuldades para cuidar da família.
A mudança o afastou de alguns irmãos durante anos. Um deles tinha apenas dois anos quando foram separados. Os dois só voltaram a se encontrar quando o garoto completou 16.
Robert nunca esqueceu aquele período. Em entrevistas, contou como era difícil não saber onde estavam seus familiares e quando poderia vê-los novamente.
Depois de deixar o sistema de acolhimento, assumiu a guarda de uma irmã mais nova e, posteriormente, a responsabilidade legal por um irmão. Essas experiências contribuíram para seu desejo de oferecer um lar a crianças que precisavam de uma família.
Em 2017, tornou-se oficialmente habilitado a acolher crianças. Foi assim que os três meninos chegaram à sua vida.
Quando descobriu a existência das duas meninas, começou a insistir para que os cinco irmãos pudessem se encontrar. Os reencontros confirmaram algo que ele próprio já havia vivido: a separação continuava afetando as crianças.
Segundo a assistente responsável pelo processo, Stacey Barton, Robert era o único responsável por um lar de acolhimento que reunia condições e disposição para adotar os cinco irmãos.
Ele precisou se organizar para receber todos, inclusive procurando uma casa maior. A adoção também representava uma mudança importante na vida de um homem que, até então, dividia o tempo entre o trabalho e os cuidados com três crianças.
Leia também: Ela fez um teste de DNA por curiosidade e acabou reabrindo um mistério de 73 anos na família
Leia também: TESTE DE ILUSÃO: Esta árvore esconde vários animais, mas alguns só aparecem quando você muda o jeito de olhar
O dia em que os cinco se tornaram seus filhos
Em 30 de outubro de 2020, a adoção foi oficializada durante uma cerimônia no condado de Hamilton, em Ohio.
Naquele dia, Robert tornou-se legalmente pai de Marionna, de 10 anos; Robert Jr., de 9; Makayla, de 8; Giovanni, de 5; e Kiontae, de 4.
O processo havia sido acompanhado por Stacey Barton, que destacou o caráter incomum daquela adoção. Em sua experiência profissional, ela nunca havia acompanhado um pai solteiro adotando cinco crianças de uma só vez.
Para Robert, o alívio veio quando recebeu a confirmação de que não precisaria mais se preocupar com a possibilidade de os irmãos voltarem a ser separados.
Ele contou à imprensa americana que chorou depois da cerimônia. Durante o processo, temia que algum problema impedisse a adoção de ser concluída.
Agora, as cinco crianças poderiam viver na mesma casa, frequentar a escola, brincar e crescer juntas.
Robert sabia que a rotina seria barulhenta. Em entrevista ao programa Good Morning America, da ABC, brincou que o nível de barulho havia aumentado enormemente desde que todos passaram a morar com ele. Não se importava. Preferia ouvir aquela movimentação a saber que os irmãos continuavam separados.
A repercussão do caso também trouxe ajuda financeira. Amigos organizaram uma campanha de arrecadação para auxiliar a família na compra de uma residência maior. Em novembro de 2020, as doações já ultrapassavam US$ 129 mil.
Como ficou a família depois da adoção
Em agosto de 2023, quase três anos depois da adoção, Robert voltou a aparecer na imprensa americana em uma reportagem da CBS News.
A família continuava reunida em Cincinnati. Aos 33 anos, ele seguia administrando seu salão de beleza, onde os filhos também participavam de algumas atividades do cotidiano.
Na entrevista, Robert falou sobre a infância difícil e sobre como aquelas experiências influenciaram sua maneira de criar os filhos. Seu objetivo era oferecer a eles os cuidados e a segurança que tantas vezes lhe fizeram falta quando criança.
Marionna, uma das irmãs adotadas, contou que era importante ter um pai que compreendia o que os cinco haviam enfrentado. Afinal, ele próprio havia passado pelo sistema de acolhimento e vivido a separação familiar.
Outra mudança havia acontecido desde a adoção: Robert retomou o relacionamento com seus pais biológicos, que passaram a participar da vida das crianças como avós.
A reportagem também reencontrou Rogena Stargul, magistrada que havia participado da decisão judicial. Ela contou que, inicialmente, tinha dúvidas sobre a capacidade de um homem solteiro cuidar de cinco irmãos. Sua avaliação mudou ao observar a relação entre Robert e as crianças durante o processo.
Naquela visita da CBS, os cinco irmãos continuavam vivendo juntos, sob os cuidados do homem que havia decidido adotá-los em 2020.
Leia também: Meu padrasto disse que havia mentido a vida inteira e me entregou um papel com um endereço
Compartilhe o post com seus amigos! 😉