Filmes de drama que abordam a Primeira Guerra Mundial não são uma raridade no mundo do entretenimento. A percepção equivocada dessa suposta raridade se deve ao fato de muitas dessas produções remeterem a tempos quase esquecidos, ressurgindo ocasionalmente por conta da inquietude humana diante de um século 21 marcado por extremos, violência e medo.
O conflito histórico foi crucial para consolidar a hegemonia americana, transformando os Estados Unidos na principal potência bélica e econômica do mundo. Sob o título aparente de “Amsterdam”, o filme revela-se, na essência, uma homenagem do cineasta nova-iorquino David O. Russell à sua cidade natal e à própria nação, onde a menção à capital holandesa emerge como um elemento mágico, liberando personagens assombrados por memórias sombrias e transportando-os para um universo de sonhos.
Leia Também: Você provavelmente passou por esse filme na Netflix e não o assistiu – mas deveria dar uma chance
Russell envolve seu extenso elenco com ilusões de um passado não vivido, exagerando nos tons de sentimentalismo em determinados momentos, porém não há como negar a personalidade imbuída em seu trabalho. Seu roteiro, abundante em detalhes, potente e cínico, abre espaço para o delírio, confundindo alguns espectadores inicialmente. Contudo, superada a estranheza inicial, é impossível não se envolver na maravilhosa loucura proporcionada pelo diretor.
Em “Amsterdam”, Russell utiliza habilmente sua narrativa fragmentada, levando o espectador a questionar o tema central abordado. Por acaso, um grupo de amigos se vê envolvido em um assassinato do qual apenas os espectadores têm ciência de que não poderiam ter cometido.
A trama se desenrola em Nova York, no ano de 1933, mas transita temporalmente até 1918, o último ano da Grande Guerra, em Amsterdam, quando o movimento fascista se fortalecia, refletindo um panorama europeu similar. O surgimento do Movimento Nacional Socialista nos Países Baixos ocorre nos anos 1930, tornando-se a única organização política legal durante a ocupação alemã na Segunda Guerra Mundial. Entretanto, duas décadas antes, a influência das ideias de Benito Mussolini já ecoava vigorosamente nos Estados Unidos de Franklin D. Roosevelt, durante seus doze anos na Presidência.
A introdução prolongada do filme serve para apresentar o cirurgião Burt Berendsen, cujo consultório é frequentado por veteranos da Primeira Guerra, incluindo ele próprio. Berendsen perdeu seu olho direito na Batalha do Marne, em 1914, no início dos confrontos, e a atuação de Christian Bale destaca-se ao trazer à vida mais um personagem memorável.
O médico trabalha num elixir analgésico capaz de aliviar qualquer dor, mas antes disso, torna-se dependente de um opioide presente na fórmula de sua poção mágica. Gradualmente, Russell cria as condições para a entrada dos co-protagonistas Harold Woodman e Valerie Voze, interpretados por John David Washington e Margot Robbie, reservando para o desfecho o desvendamento do homicídio, intimamente relacionado a um incidente vergonhoso nos bastidores daquele cenário sinistro.
Leia Também: Na Netflix: Conheça um dos melhores filmes de 2023, baseado em livro traduzido para 40 idiomas
Compartilhe o post com seus amigos! 😉
Fonte: Omelete
Não sabe quando procurar uma psicóloga em Socorro-SP? Entenda os sinais e descubra como dar…
Existe um tipo de romance que começa depois do fim. Em A Arte de Amar,…
O que começa como uma viagem para acompanhar a filha acaba mudando completamente a rotina…
Há arrependimentos que não aparecem de uma vez. Eles vão se acumulando no meio da…
Antes de virar personagem de uma série da Netflix, Lidia Poët já era uma daquelas…
Às vezes, o que faz uma série crescer na Netflix não é uma grande estrela…