Muitas vezes, a grandeza de um homem é tamanha que as palavras perdem a força diante dele. Este é o caso de Dom Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia (MT) católigo que faleceu hoje (8), aos 92 anos.a

A antítese do pensamento reinante no Brasil de hoje, Casaldáliga tornou-se referência por suas posições políticas e pelo incansável trabalho pastoral ligado na defesa de direitos dos povos indígenas e o combate à violência dos conflitos agrários.

O religioso padecia de problemas respiratórios que foram agravados pelo Mal de Parkinson, acarrando em sua internação e transferência para um hospital de São Paulo na noite de terça-feira (4).O transporte se deu por meio de uma UTI montada dentro de um avião.

Nascido em 1928, ele mudou-se para o Brasil aos 40 anos e logo de pronto abraçou a defesa dos povos de povos indígenas, ameaçados pela violência dos conflitos agrários e pela expansão dos latifúndios na região.

Sua vida foi marcada por grandes embates com poderosos e ricos, diante dos quais ele não exitava em dizer:

“Na dúvida, fique do lado dos pobres.”

Abaixo, um de seus poemas que tanto nos diz sobre seus princípios e seu ideário:

ORAÇÃO A SÃO FRANCISCO, EM FORMA DE DESABAFO
(D. Pedro Casaldáliga)

Compadre Francisco
como vais de glória?
E a comadre Clara
e a irmandade toda?

Nós, aqui na Terra,
vamos mal vivendo,
que a cobiça é grande
e o amor pequeno.
O Amor divino
é mui pouco amado
e é flor de uma noite
o amor humano.

Metade do mundo
definha de fome
e a outra metade
de medo da morte.

A sábia loucura
do santo Evangelho
tem poucos alunos
que a levem a sério.
Senhora Pobreza,
perfeita alegria,
andam mais nos livros
que nas nossas vidas.

Há muitos caminhos
que levam a Roma;
Belém e o Calvário
saíram de rota.

Nossa Madre Igreja
melhorou de modo,
mas tem muita cúria
e carisma pouco.
Frades e conventos
criaram vergonha,
mas é mais no jeito
que por via nova.

Muitos tecnocratas
e poucos poetas.
Muitos doutrinários
e menos profetas.

Armas e aparelhos
trustes e escritórios,
planejam a história,
manejam os povos.

A mãe natureza
chora, poluída
no ar e nas águas,
nos céus e nas minas.
Pássaros e flores
morrem de amargura,
e os lobos do espanto
ganharam as ruas.

Murchou o estandarte
da antiga arrogância.
são de ódio e lucro
as nossas cruzadas.
Sucedem-se as guerras
e os tratados sobram;
sangue por petróleo
os impérios trocam.

O mundo é tão velho
que, para ser novo,
compadre Francisco,
só fazendo outro…

Quando Jesus Cristo
e Nossa Senhora
venham dar um jeito
nesta terra nossa,
compadre Francisco,
tu faz uma força,
e a comadre Clara
e a irmandade toda.

Nossas preces e vibrações de amor e ternura a esta alma iluminada que nos presenteou, por tanto tempo, com a sua presença e exemplo!

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