Recurso terapêutico revela aspectos do inconsciente e favorece o controle das emoções, minimizando crises de ansiedade

De acordo com uma pesquisa realizada recentemente pelo Ministério da Saúde, a ansiedade é o transtorno mais presente entre os brasileiros durante a pandemia de Covid-19. Dentre as causas, estão o medo de adoecer ou de perder pessoas próximas, o estresse provocado pela mudança na rotina e pelas medidas de distanciamento social, o receio de perder o emprego e a preocupação com as consequências econômicas.

Mandala terapêutica de uma paciente de 28 anos em busca de recolocação profissional, com grande ansiedade, mas gerenciada
Mandala terapêutica de uma paciente de 28 anos em busca de recolocação profissional, com grande ansiedade, mas gerenciada

A ansiedade é um sentimento natural e inerente ao ser humano, funcionando como uma medida protetiva quando o cérebro, diante de uma ameaça ou um perigo, libera cortisol para que o organismo fique em alerta. Na pandemia, que trouxe muitas incertezas sobre o futuro, esse estado de atenção pode ser permanente e provocar prejuízos no dia a dia e na qualidade de vida do paciente.

De acordo com a arteterapeuta Myrian Romero, coordenadora do Centro Internacional de Mandala, Arte e Simbolismo (Ceimas), as mandalas terapêuticas podem revelar, por meio de cores e formas, se o paciente está vivenciando um quadro de ansiedade. “Ao observar um conjunto de mandalas, ficam evidentes traços de alguém que está ansioso. Nesse caso, precisamos avaliar se é algo pontual e natural diante, por exemplo, de um evento inesperado, como a perda do emprego ou até mesmo o luto, ou se ansiedade já se apresenta como o início de um transtorno”, explica a especialista.

Ela acrescenta que, numa mandala terapêutica, a ansiedade pode ser manifestada de forma concreta por meio de alguns elementos específicos, como espirais que passam do limite do círculo e as cores violeta, magenta, rosa forte ou pálido, e dependendo de onde e como estão colocados dentro da circunferência. “Ao trazer aspectos do inconsciente, as mandalas podem revelar antecipadamente um nível de tensão exacerbado, ou seja, quando as angústias e preocupações são excessivas e precisam de um olhar mais atento”, afirma Myrian Romero.

Profissional de Saúde representando na mandala uma crise de ansiedade por estar na linha de frente da Covid-19
Profissional de Saúde representando na mandala uma crise de ansiedade por estar na linha de frente da Covid-19

No processo terapêutico, as mandalas também têm o papel de ajudar o paciente a liberar as emoções em cor e forma no papel, favorecendo uma enorme descarga de tensão. “Assim, o próprio ato de fazer uma mandala terapêutica, que requer um trabalho de respiração, concentração e relaxamento, auxilia o paciente a controlar a ansiedade, evitando que a situação se agrave”, acrescenta a arteterapeuta.

Além do recurso das mandalas terapêuticas, Myrian Romero recomenda algumas medidas simples para controlar a ansiedade: manter uma alimentação saudável, praticar exercícios físicos, fazer pausas ao longo do dia para uma respiração mais longa e profunda, meditar mesmo que seja apenas 10 minutos por dia, fazer um escalda-pés no inverno e dormir bem.

A especialista finaliza ressaltando que, em casos de transtornos de ansiedade, é necessário um trabalho multidisciplinar, com o auxílio de um médico psiquiatra.

Myrian Romero é arteterapeuta e pós-graduada em Gestão Emocional nas Organizações pelo Hospital Israelita Albert Einstein e em Psicologia Transpessoal pela Associação Luso-Brasileira de Transpessoal (Alubrat). Certificada MARI®️ (Mandala Assessment Research Instrument) e Creating Mandala Program, ministrado em Atlanta, nos Estados Unidos, por Suzanne Fincher, autora de vários livros sobre o tema. Atualmente, é coordenadora do Centro Internacional de Mandala, Arte e Simbolismo (Ceimas) e professora em programas de Pós-Graduação.

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