O último Natal da princesa Diana foi bem diferente das celebrações grandiosas normalmente associadas à família real britânica. Em dezembro de 1996, menos de um ano antes de sua morte, ela teria passado o dia praticamente sozinha no Palácio de Kensington, enquanto os filhos, William e Harry, estavam com a família paterna em Sandringham.
O relato foi feito por Darren McGrady, ex-chef da realeza que trabalhou para Diana e outros integrantes da família real. Segundo ele, a princesa fazia questão de liberar os funcionários para que pudessem passar o Natal com suas próprias famílias. Antes de irem embora, deixavam refeições prontas na geladeira para que ela pudesse se servir durante o feriado.
McGrady contou que a situação tornava a véspera especialmente melancólica para quem trabalhava com Diana. William e Harry seguiam para Sandringham, tradicional residência natalina da família real, enquanto a mãe permanecia em Kensington.
A decisão de liberar a equipe ajuda a explicar um detalhe que chama atenção no relato: mesmo cercada por funcionários durante boa parte do ano, Diana preferiu não mantê-los trabalhando apenas para acompanhá-la no Natal.
O afastamento das celebrações da família real
A relação de Diana com as festas em Sandringham já vinha se tornando difícil havia alguns anos. Depois da separação de Charles, anunciada oficialmente em dezembro de 1992, ela chegou a participar de parte das comemorações natalinas com a família real, principalmente por causa dos filhos.
Em 1993, por exemplo, Diana passou a noite em Sandringham e participou da tradicional ida à igreja, mas deixou a propriedade antes do almoço de Natal. Relatos posteriores indicam que ela não se sentia confortável no ambiente e percebia certa frieza entre alguns membros da família.
O mesmo desconforto teria voltado a aparecer no ano seguinte. Darren McGrady descreveu Sandringham como um espaço movimentado e apertado durante as festas, com vários parentes reunidos e pouca possibilidade de ficar sozinho. Segundo ele, Diana frequentemente saía para caminhar por conta própria.
A própria princesa já havia relatado sentimentos semelhantes. Em gravações utilizadas pelo biógrafo Andrew Morton, Diana descreveu a experiência em Sandringham como desconfortável e afirmou que se sentia uma pessoa de fora naquele ambiente.
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O divórcio havia sido concluído meses antes
Quando passou aquele Natal de 1996 em Kensington, Diana já estava oficialmente divorciada. O casamento com o então príncipe Charles terminou legalmente em 28 de agosto daquele ano, após quase 15 anos. O casal havia se separado formalmente em dezembro de 1992.
Com o divórcio, Diana deixou de usar o tratamento de “Sua Alteza Real”, mas continuou conhecida como Diana, Princesa de Gales. Ela permaneceu morando no Palácio de Kensington e continuou participando da criação de William e Harry.
Seu afastamento da estrutura oficial da monarquia, portanto, não significou um rompimento com os filhos. Pelo contrário: os relatos sobre aquele Natal mostram justamente a situação delicada em que ela estava. William e Harry mantinham seus compromissos e vínculos com a família real, enquanto Diana construía uma rotina cada vez mais independente.
Um Natal simples dentro do Palácio de Kensington
Carolyn Robb, que também trabalhou como chef para Charles e Diana, contou que a princesa preferia que a comida fosse deixada pronta na geladeira nesses períodos, em vez de exigir que alguém permanecesse no palácio preparando refeições frescas.
O gesto de dispensar os funcionários chama atenção justamente porque significava aceitar passar boa parte do feriado sem companhia. Diana poderia manter uma equipe de serviço à disposição, mas preferia que os empregados estivessem com seus parentes.
Aquele seria seu último Natal. Diana morreu em 31 de agosto de 1997, aos 36 anos, após o acidente de carro ocorrido no túnel da Pont de l’Alma, em Paris. Sua morte provocou enorme repercussão internacional e deixou William, então com 15 anos, e Harry, com 12, sem a mãe.
Meses antes, porém, o cenário era muito mais cotidiano: uma princesa recém-divorciada, dois filhos passando as festas com o pai e uma geladeira abastecida para que os funcionários não precisassem abrir mão do próprio Natal.
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