
Paul Thomas Anderson reúne um elenco de peso em “Magnólia” para contar várias histórias que se cruzam em um único dia no Vale de San Fernando.
Tom Cruise, Julianne Moore, Philip Seymour Hoffman e John C. Reilly interpretam personagens ligados por um programa de televisão chamado “What Do Kids Know?”, por laços familiares e por traumas que não cicatrizaram.
Um produtor de TV à beira da morte tenta se reconciliar com o filho de quem se afastou, um apresentador doente perde o contato com a filha dependente de drogas, um policial solitário tenta fazer a coisa certa e um ex-campeão infantil carrega a sombra de um passado televisivo.

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Anderson alterna quartos de hospital, auditórios e apartamentos para mostrar como cada personagem está preso a espaços que definem seus limites e funções. No leito de Earl Partridge, Phil Parma (Philip Seymour Hoffman) cuida do enfermo e recebe a missão de localizar Frank T.J. Mackey antes que seja tarde.
Mackey, por sua vez, é um palestrante misógino que domina auditórios com slogans de conquista; quando confrontado sobre seu passado, a fachada desaba sem que o filme precise transformá-lo em tese sobre masculinidade.
Outra linha narrativa acompanha Jimmy Gator, o rosto veterano do programa de perguntas e respostas, que está doente e não vê a filha Claudia há anos. A chegada do policial Jim Kurring ao apartamento dela não dissipa o histórico de abuso e ressentimento; ao contrário, adiciona constrangimento ao encontro.
Em paralelo, Stanley Spector, uma criança levada pelo pai ao quiz show, já mostra sinais de desgaste físico e emocional, enquanto Donnie Smith, ex-menino-prodígio agora adulto, vive quebrado financeiramente e preso à lembrança de um brilho que não se traduziu em estabilidade.
“Magnólia” arrisca bastante ao unir esses personagens em momentos inusitados. A sequência em que todos cantam “Wise Up” e a chuva de sapos que cai sobre Los Angeles rompem o naturalismo acumulado até então, mas ajudam a conectar histórias isoladas.
Anderson cria um filme ambicioso, que mistura drama familiar, crítica à indústria do entretenimento e eventos quase místicos sem perder de vista o detalhe humano: cada pessoa carrega um fardo e tenta, à sua maneira, seguir em frente enquanto as engrenagens do show continuam girando.
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