Ontem, dia 27 de fevereiro, Marcelo Ribeiro publicou um texto que, em pouco mais de 24 horas, já obteve mais de 40 mil curtidas de quase 30 mil compartilhamentos. No texto, ele se descupa pela forma hostil com que tratou a dona de um cão que o mordeu e nos dá uma verdadeira aula de civilidade e apreço ao humano e aos animais. Parabéns por sua reflexão, Marcelo!

Segue o texto:

“À moça cujo cão me mordeu no Barigui neste sábado, me desculpe. Não sei seu nome, não vi o seu rosto. Estava furioso para prestar atenção. Mas me desculpe quando eu disse que seu cachorro era perigoso; ele provavelmente não é. Me desculpe por ter dito que ele devia usar mordaça; ele possivelmente não precisa.

Falei estas coisas de maneira agressiva, me desculpe. Foi a dor da mordida. A irritação mental. Eu ainda não havia raciocinado sobre o ocorrido.

Eu estava em uma vibe de amor e comunhão com a natureza. E tudo mudou num instante. Depois de eu ter te dado uma bronca de alguns segundos por causa do ataque repentino à minha coxa me mandei, furioso. Eu deveria ter ficado e conversado.

Claro que não estou me desculpando por ter sido mordido. Mas pelo que falei. Seu cachorro não tinha raça definida. E não era filhote. Suponho que o adotou já adulto. E isso é extremamente louvável. Você me disse que ele nunca tinha atacado ninguém e acreditei naquele momento. Você possivelmente não sabia que ele poderia tentar te defender com tanta ferocidade.

Sim, defender. Pois logo que eu continuei meu caminho minha irritação parou. A dor na ferida não era mais significante. E comecei a pensar. O animal pulou em mim quando eu passava de skate, em velocidade. Mais especificamente quando eu fiz o movimento de pedalada para me impulsionar e ganhar mais velocidade. Vocês estavam bem pertinho da pista e, no olhar do animal, poderia parecer que eu estava desferindo um ataque. Ele te ama e quis te defender ao invés de fugir. Foi bravo, valente!

Pulou na minha coxa esquerda como um raio. Muito mais rápido do que me parece que um cachorro tão rechonchudo poderia fazer. Não rosnou, não latiu. Apenas agiu em tua defesa. Instantaneamente. E você agiu da melhor maneira que poderia: manteve a mão firme na guia, mesmo com o puxão dele e quando percebeu o que ele tinha feito, o conteve com um abraço.

Você fez tudo certo, tudo o que poderia. A situação era totalmente imprevisível. Cachorros são literalmente lobos domesticados e teu animalzinho estava agindo como um lobo protegendo a prole. A minha, quando a levo ao parque, tenta matar os pássaros. Já conseguiu, uma vez.

Eu te procurei pelo parque em seguida. Mas acho que o incidente e minha rispidez te fizeram se mandar. Desculpe.

Não vou colocar panos quentes na ferida (piada acidental): os danos na minha pele foram superficiais. Mas poucas horas depois apareceu um hematoma e inchaço. Basicamente foi um apertão muito forte, muito rápido. Dói um pouco, mas não vai deixar marcas indeléveis.

Escrevo todo esse textão porque não quero que deixe de passear com ele. Talvez tenha que tomar mais cuidados, sabendo que ele é tao protetor assim. Inclusive não quero que tenha medo de adotar outro bicho em necessidade no futuro, porque essa linda atitude te faz uma pessoa melhor e nos dá um mundo um pouquinho melhor e mais compassivo.

Pra você que não é a moça do cachorro que me mordeu: adoraria se compartilhasse esse link em todos os grupos de cães e adoção de Curitiba que conheça. Pois realmente gostaria que ela soubesse que não fez nada de errado e que o bichinho dela provavelmente é muito supimpa.

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