7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse

Cerca de 4% da população do Brasil sofre do transtorno e as crises são realmente violentas.

1. Quando você tem uma crise é como se você fosse morrer.
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A síndrome do pânico é um “transtorno de ansiedade que se dá por meio de crises severas sem motivo aparente e duram, em média, entre 20 e 40 minutos”, explica a psicoterapeuta Marina Boccalandro, professora da PUC-SP e autora do livro “Transtorno de Ansiedade e Síndrome do Pânico – Uma Visão Multidisciplinar”.

A comunidade médica brasileira entende o transtorno, como deve ser chamado apesar de ser popularmente conhecido como síndrome. Mariana explica que ele “afeta os três corpos: o físico, o mental e o emocional”, e conta com uma quantidade significativa de sintomas.

Fisicamente, pode ocorrer taquicardia, respiração acelerada ou falta de ar, sudorese, problemas de visão embaralhada, dores de barriga, tremores, mãos e pés frios e boca seca. “Esses são os sintomas mais comuns, mas podem existir muitos outros”, diz Marina.

O professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Aurélio Melo, afirma que é comum “muitos pacientes relatarem que sentem que vão morrer” durante a crise, o que acaba afetando o emocional. “Muitos inclusive acabam procurando um hospital por achar que estão sofrendo um ataque cardíaco”, diz.

2. O pânico surge de forma completamente inesperada e toma conta de você.

O psiquiatra Felipe Corchs, do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirmou que o que caracteriza o transtorno do pânico, além dos sintomas, é rapidez com que se dão as crises.

“Elas ocorrem de forma inesperada, é um medo muito intenso que ocorre sem motivo específico e de forma muito abrupta. Não é como se você estivesse em um dia ruim e como o acumulo do estresse diário tivesse uma crise. Ela vem do nada”, diz Felipe.

Assim como Marina, o psiquiatra afirma que a crise dura em média 40 minutos, mas ressalta que “como na maioria dos casos de doenças mentais, existem muitas variações”.

3. O transtorno é mais comum entre as mulheres e atinge cerca de 4% da população brasileira.

Segundo Marina, a Academia Paulista de Psicologia, associação do qual é membro, trabalha com a “estimativa de que 4% da população brasileira sofra de transtorno de pânico”.

Ela aponta ainda que as crises são mais comum entre “mulheres na adolescência e entre 35 e 40 anos. “Mas atualmente vemos que têm começado mais cedo, chegando até a crianças e também em idosos”, diz.

Aurélio observa porém que no geral, os homens não buscam ajuda médica. “A gente observa que a procura maior é de mulheres, porém as as mulheres de forma geral procuram ajuda para tudo mais cedo. O homem vai ao médico na urgência e tardiamente”, explica.

4. Não existe um motivo definitivo para alguém desenvolver transtorno de pânico.

Felipe explica que existem um infinidade de possibilidades. “Isso ainda é muito estudado, alguns acreditam que pode ser genético, outros de que aconteçam a partir de traumas de infância, alguns da combinação disso”, diz, completando que os especialistas ainda não tem certeza de nada. “O que sabemos é que existe um envolvimento pesado dos sistemas cerebrais de defesa, aquele que controla o medo. Mas não sabemos o que o dispara”, diz o psiquiatra.

Segundo Marina, o transtorno pode ocorrer devido a diversos fatores. “Há mais chances de que pessoas que tenham casos na família possam desenvolver o transtorno, mas também o uso de drogas, problemas de abuso na infância, trauma no nascimento, e situações de estresse acentuado como afogamento, por exemplo”.

5. Não necessariamente existe um gatilho para as crises e em alguns casos os pacientes desenvolvem agorafobia.

“Logo nas primeiras crises a pessoa começa a associá-la ao que estava fazendo, então ela condiciona a crise à algo”, diz Felipe. Ou seja, não são as situações que levam às crises. Marina completa. “É uma consequência da crise caso não se trate logo no começo. A pessoa tende a se isolar, deixa de trabalhar, estudar, se afasta das pessoas porque associam situações às crises”, diz.

Essa situação de isolamento pode se tornar a chamada agorafobia. “Muitos dos que sofrem do transtorno de pânico e não buscam o tratamento podem desenvolver agorafobia que é basicamente o medo de não poder fugir prontamente para o espaço em que se sente protegido, que é geralmente a sua casa”, diz o psiquiatra. Ele explica que estas pessoas até saem, mas sempre buscam uma rota de fuga. “Se vão ao cinema elas sentam próxima a porta, por exemplo”, aponta o psiquiatra.

6. O tratamento pode envolver terapia e/ou medicamentos.

Os especialistas ouvidos disseram que o tratamento pode envolver medicamentos e terapia. “Em geral o tratamento é composto por antidepressivos que são bastante seguros e, às vezes no começo, ansiolíticos, que são os remédios de tarja preta, mas por tempo limitado e com cuidado por conta do risco de dependência”, diz Felipe.

Aurélio ressalta a importância da terapia pelo fato do transtorno do pânico ser apenas uma das questões que a pessoa precisa trabalhar. “Dependendo do quadro, pode ser necessário mais terapia, ou mais medicamento. Vai da necessidade do paciente”.

Com relação à terapia, ele ainda lembra que algumas vezes o tratamento é mais curto, apenas para melhorar a questão das crises. “Mas muitas vezes o pânico é apenas a ponta do iceberg”, diz Aurélio.

7. O tratamento é mais efetivo com práticas complementares, como meditação, atividade física e alimentação saudável.

Marina diz que trabalha também com outras práticas como “ensino de respiração, meditação, visualização, imaginação semi dirigida” e ressalta que em momentos de crise o mais básico é “trabalhar a respiração: inspirar profundamente e expirar com mais força ainda”, diz.

Felipe completa que “tudo que é saudável ajuda no tratamento psiquiátrico”. “Quase todos transtornos têm ligação com o estresse e maus hábitos cotidianos podem contribuir muito para a evolução das doenças mentais em geral, como falta de atividade física, luz solar, má alimentação e falta de sono. Cuidar disso tudo faz muita diferença no tratamento”, diz.

O psiquiatra faz uma ressalva no caso das atividades físicas. “É preciso cuidado e acompanhamento. Alguns sintomas ligados à prática de esporte se assemelham aos do pânico (sudorese, taquicardia e falta de ar)”.






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