Denzel Washington diz que este é orgulhosamente um dos melhores filmes de sua carreira (e agora está na Netflix!)

Há filmes que chegam cercados de barulho. Um Limite Entre Nós prefere outro caminho: começa como um retrato doméstico, quase rotineiro, e aos poucos transforma conversas de quintal, silêncios e ressentimentos acumulados em algo sufocante.

Quando a história engrena, fica claro que o longa não quer agradar com facilidades. Ele quer encarar, de frente, o desgaste de uma família ferida por frustrações antigas, afeto mal demonstrado e uma autoridade paterna que pesa em cada cena.

Disponível na Netflix no Brasil, o filme de 2016 foi dirigido e estrelado por Denzel Washington, ao lado de Viola Davis, e adapta para o cinema a peça Fences, de August Wilson, vencedora do Pulitzer.

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A montagem teatral já era respeitadíssima, e a versão para as telas preserva essa força de texto, de embate verbal e de atuação em estado bruto. Washington e Davis, inclusive, já tinham vivido esses papéis na Broadway anos antes.

A trama acompanha Troy Maxson, um homem endurecido pelas derrotas que carrega desde a juventude. Ex-jogador talentoso de beisebol, ele vive com a sensação de que teve o futuro bloqueado pelo racismo de sua época.

Essa revolta molda sua forma de enxergar o trabalho, a paternidade, o casamento e, principalmente, o próprio filho. O problema é que Troy transforma sua dor em regra de vida, como se todo mundo ao redor precisasse pagar por aquilo que ele não conseguiu superar.

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É aí que Um Limite Entre Nós cresce. O filme funciona porque não tenta simplificar Troy. Ele é carismático, engraçado em alguns momentos, duro em quase todos, e profundamente injusto quando acha que está sendo racional.

Denzel Washington segura esse personagem com presença impressionante, sem buscar torná-lo simpático a qualquer custo. O espectador entende de onde vem aquele homem, mas isso não diminui o estrago que ele provoca.

Viola Davis, por sua vez, entrega o tipo de atuação que muda o eixo de uma cena. Rose poderia ser escrita apenas como a esposa que suporta tudo calada, mas Davis dá à personagem uma dimensão muito maior.

Ela observa, segura, cede, reage e, quando explode, toma o filme para si com uma força difícil de esquecer. Não por acaso, sua performance lhe rendeu o Oscar de atriz coadjuvante, enquanto o longa ainda recebeu indicações para melhor filme, melhor ator e melhor roteiro adaptado.

Outro ponto que chama atenção é como o filme mantém a origem teatral sem parecer engessado. Boa parte da ação se concentra em poucos espaços e em diálogos longos, cheios de tensão, culpa, ironia e ressentimento. Em mãos erradas, isso poderia soar estático. Aqui, vira trunfo.

Cada fala parece carregar anos de conflito, e o quintal da casa dos Maxson passa a ter um peso dramático enorme, como se aquele pedaço de chão guardasse tudo o que a família nunca conseguiu resolver direito.

Também ajuda o fato de Um Limite Entre Nós não tratar os conflitos raciais e sociais como pano de fundo decorativo. Eles estão no centro da formação de Troy, na maneira como ele olha o mundo e na forma brutal com que tenta “proteger” o filho de sonhos que ele considera perigosos.

O choque entre gerações nasce justamente aí: de um pai moldado pela escassez e de um filho que enxerga alguma chance de romper esse ciclo.

Talvez por isso o filme continue tão forte. Ele fala sobre ressentimento, orgulho, masculinidade, fracasso e herança emocional sem recorrer a atalhos. É um drama denso, às vezes desconfortável, sustentado por texto afiado e por um elenco em altíssimo nível.

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Em entrevista na época do lançamento, o próprio Denzel disse que tinha muito orgulho do resultado de Fences, sentimento fácil de entender quando se vê o nível de entrega da produção.

Para quem procura na Netflix um drama realmente robusto, daqueles que pedem atenção e devolvem atuações memoráveis, Um Limite Entre Nós é uma escolha certeira.

Não é um filme feito para passar em branco — e talvez seja justamente por isso que segue sendo lembrado como um dos trabalhos mais fortes da carreira de Denzel Washington.

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.