O filme de Spike Lee com Adam Driver que incomodou muita gente e agora está na Netflix

Tem filme que você coloca pra ver achando que já sabe o “básico” da história — e ele vai te apertando aos poucos, cena a cena. É o caso de “Infiltrado na Klan”, de Spike Lee, que está na Netflix e reúne John David Washington e Adam Driver numa investigação tão improvável quanto perigosa, inspirada em fatos reais.

A trama se passa em 1978, no Colorado, quando Ron Stallworth (Washington) vira o primeiro policial negro do departamento e enxerga uma chance rara: se aproximar da Ku Klux Klan sem levantar suspeitas.

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O contato começa de um jeito quase absurdo de tão simples — telefone e correspondência — mas funciona justamente porque Ron domina a voz, o tom e as palavras certas para “vender” a persona do outro lado da linha.

Só que esse acesso tem um limite óbvio: alguém precisa aparecer ao vivo. E aí entra Flip Zimmerman (Driver), o agente que assume a parte mais arriscada da operação, indo a reuniões, encarando membros da Klan de frente e sustentando uma identidade que não pertence a ele.

Qualquer hesitação vira ameaça; qualquer frase mal colocada pode desmontar a farsa.

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O filme cresce muito nessa divisão de funções. Ron opera nos bastidores, ampliando portas e coletando informação; Flip lida com o peso imediato de estar cercado por gente disposta a escalar para a violência.

A investigação só se mantém de pé porque um depende do outro o tempo todo — e Spike Lee deixa essa engrenagem bem visível, com foco nas escolhas práticas e no preço de cada passo.

Em vários momentos, o roteiro encontra humor no próprio constrangimento da situação — o ridículo de certas falas, a vaidade de quem se acha intocável, a “lógica” torta que se contradiz sem perceber.

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Só que essa graça nunca vira conforto: ela aparece e some rápido, porque a tensão volta em seguida, mais apertada.

Conforme a Klan ganha tração e o círculo se fortalece, o risco muda de escala. O que era uma infiltração controlada começa a ter efeito real do lado de fora, e a dupla percebe que informação não garante proteção. A sensação é de corda esticando: mais acesso, menos margem para erro.

Spike Lee também usa personagens ao redor para mostrar o clima político e policial daquele período, sem tirar o centro da história. Alec Baldwin e Isiah Whitlock Jr. entram como peças que ajudam a situar o ambiente e o tipo de discurso que alimentava (e normalizava) certas ameaças.

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Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.