
A pergunta “com quantos anos eu devo fazer colonoscopia?” costuma vir carregada de uma ideia errada: a de que existe uma idade “permitida” para olhar o intestino.
Na prática, existem duas conversas diferentes. Uma é sobre rastreamento (fazer exame mesmo sem sintomas, para pegar pólipos e câncer bem no começo).
A outra é sobre investigação (fazer porque algo mudou e precisa ser explicado). Misturar as duas é o jeito mais fácil de perder tempo.

Foi por isso que um vídeo do médico brasileiro Dr. Juan Lambert explodiu nas redes: ele conta que atendeu um paciente de 32 anos com um tumor de 6 cm próximo ao reto e lembra que, anos antes, esse paciente já tinha tido um pólipo e ouviu que “não tinha problema” — quando pólipo pode ser, sim, uma lesão que merece acompanhamento e, dependendo do tipo, vira alerta para risco futuro.
Então, vamos ao que interessa: 30, 45 ou 60? Depende do seu “grupo”.
45 anos: virou a referência mais aceita para quem é de risco médio.
Várias diretrizes internacionais passaram a recomendar começar o rastreamento aos 45 em pessoas sem fatores de risco adicionais, justamente porque cresceu a incidência em adultos mais jovens e porque antecipar o início pode evitar diagnósticos tardios.
E quando a colonoscopia entra como opção, o intervalo clássico (se estiver tudo normal) costuma ser a cada 10 anos.

50 anos: ainda é o ponto de partida mais comum no SUS e em protocolos públicos.
No Brasil, a realidade é que não existe um programa nacional amplo de rastreamento com colonoscopia para todo mundo, e muitas estratégias de saúde pública priorizam métodos como pesquisa de sangue oculto nas fezes/FIT a partir dos 50 anos, por custo-efetividade e logística — com colonoscopia entrando principalmente quando o teste vem alterado ou quando há indicação clínica.
60 anos: não é “tarde demais” — é “não adie mais”, se você nunca rastreou.
Se você chegou aos 60 sem nunca ter feito rastreamento, ainda faz sentido conversar com seu médico, porque muitas recomendações mantêm rastreio até 75 anos, e entre 76 e 85 a decisão vira mais individual (saúde geral, histórico prévio, expectativa de vida).
30 anos: não é idade padrão para rastreamento de risco médio, mas pode ser totalmente indicado em situações específicas.
Aqui entra a parte que o vídeo do Dr. Juan Lambert deixa bem clara na prática: idade jovem não imuniza ninguém.
Aos 30 e poucos, colonoscopia pode ser indicada se houver sintomas, histórico familiar, pólipos prévios ou condições que aumentem risco.

Exemplos bem comuns de “muda o jogo”:
Parente de primeiro grau com câncer colorretal (especialmente se foi diagnosticado cedo) → muitas recomendações antecipam o início (ex.: aos 40 ou 10 anos antes do caso mais jovem na família, dependendo do cenário).
Pólipo já encontrado antes → o intervalo e a necessidade de repetir não seguem a “idade da moda”; seguem o tipo/tamanho/número do pólipo e o laudo. (É exatamente o ponto do caso citado no vídeo.)
Sangramento, anemia, mudança persistente do intestino, dor abdominal que não passa, perda de peso sem explicação → isso não é “pra observar com calma”; é motivo para avaliação.
Falando em sinais: o próprio Dr. Juan Lambert lista alertas como sangue nas fezes, mudança no hábito intestinal, dor/desconforto abdominal persistente, sensação de evacuação incompleta, perda de peso sem explicação e cansaço extremo.
Sobre “vitamina D baixa”: existe pesquisa sugerindo associação entre níveis baixos e pior cenário em câncer colorretal, mas isso não serve como diagnóstico nem substitui investigação quando há sintomas.
Você pode assistir o vídeo clicando aqui.
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