Em primeiro lugar, trouxemos “Tomates Verdes Fritos”, de Jon Avnet
O livro original de Fannie Flagg não esconde o caso de amor entre a indomável Idgie e a doce Ruth, porém, temendo a polêmica, o diretor Jon Avnet preferiu deixar tudo subentendido e apostar apenas no forte laço de amizade. É uma decisão tola, já que a trama ganharia ainda mais relevância, no contexto da época em que ela se passa, em meados da década de trinta, uma sociedade intensamente racista, preconceituosa.

A história é narrada pela personagem de Jessica Tandy, uma senhora que vive o crepúsculo de sua vida em um asilo. A sua vitalidade impressiona a personagem vivida por Kathy Bates, uma dona de casa sem autoestima, escrava de um relacionamento desgastado, com um homem grosseiro que só pensa em beber e assistir seus jogos de beisebol.

“Eu sou muito jovem para ser velha, e muito velha para ser jovem”.

Um tema central, no livro e no filme, é a questão do resgate da gentileza num mundo cada vez mais deselegante. A personagem de Bates, um pouco acima do peso, fica ofendida quando um moleque, sem motivo algum, debocha agressivamente de sua constituição física. Numa cena posterior, ela é vítima novamente de agressão verbal, quando duas jovens, sem cerimônia, estacionam o carro em sua vaga. O roteiro evidencia, de forma quase caricatural, o impacto do desrespeito.
(Você pode encontrar o filme no Youtube)


Em segundo lugar, queremos ressaltar a extrema sensibilidade em “O Carteiro e o Poeta”, de Michael Radford
A emoção em “O Carteiro e o Poeta” (Il Postino– 1994), dirigido por Michael Radford, já nasce nos primeiros segundos, com a linda trilha sonora de Luis Bacalov, que consegue transmitir um profundo sentimento de nostalgia, como que a sociedade gritando por ajuda, a necessidade do retorno de valores já tidos como antiquados e dispensáveis.


O homem humilde, vivido por Massimo Troisi, emocionalmente inseguro, que, por hábito, aprendeu a se minimizar, observando ternamente a foto amarelada, enquanto o dia lentamente desperta. Ele tenta estabelecer contato com o pai, um pescador embrutecido pela vida, porém, o velho não escuta suas desajeitadas palavras, preocupado mais com o mecânico saciar de sua fome. Ao conhecer o poeta Pablo Neruda, vivido por Philippe Noiret, em um cinejornal, o homem toca brevemente aquele mundo desconhecido, totalmente diferente de sua simples comunidade pesqueira. A escuridão da sala de cinema potencializa a mágica desse primeiro encontro, posicionando o homem, em sua pequenez, diante do gigante visitante estrangeiro na tela.

Ele tenta conseguir um emprego como carteiro, porém, num toque sutil, a câmera se foca na exigência de uma bicicleta. A sua insegurança é tanta, que, sem pensar duas vezes, ele adentra o local com a bicicleta, como que tentando garantir sua contratação, antes de precisar abrir a boca. Vale notar a postura dele ao avisar ao empregador sua fragilidade intelectual, afirmando que sabe, de forma lenta, ler e escrever, uma mentira que ele é incapaz de disfarçar, quando reage de forma defensiva ao escutar que irá trabalhar apenas para uma pessoa, já que todos na região são analfabetos.
(Você também encontra este filme no Youtube)

Créditos: Excertos de críticas de Octavio Caruso em Devo tudo ao cinema.

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