Ayesh, de 12 anos, fugiu da província de Idlib, na Síria, para a Turquia, e deixou de frequentar a escola. Foto: UNICEF/Shehzad Noorani
Ayesh, de 12 anos, fugiu da província de Idlib, na Síria, para a Turquia, e deixou de frequentar a escola. Foto: UNICEF/Shehzad Noorani

Publicado originariamente pela UNICEF, em 20/03/2017

Conforme divulgado no site oficial da ONU, um ano depois do fechamento das fronteiras de países da região dos Balcãs e da declaração entre Turquia e União Europeia para interromper grandes fluxos migratórios, crianças refugidas e migrantes enfrentam riscos maiores de deportação, detenção, exploração e privação. O alerta foi feito na sexta-feira (17) pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF).

Em 2017, cerca de 3 mil refugiados e migrantes, sendo um terço crianças, chegaram à Grécia, apesar da plena implementação da declaração UE-Turquia e do controle mais rígido das fronteiras. Muitos continuam migrando para Bulgária, Balcãs e Hungria.

Segundo o diretor regional da agência, Afshan Khan, “embora tenha ocorrido uma grande queda no número geral de crianças entrando na Europa desde março do ano passado, houve um aumento nas ameaças e nas dificuldades que elas devem suportar”.

Para ele, a questão virou um “círculo vicioso: crianças fogem de sofrimento e acabam fugindo de novo ou enfrentando detenção ou completa negligência”.

A equipe do UNICEF na Grécia registrou níveis profundos de angústia e frustração entre crianças e suas famílias. Apesar de melhorias recentes nas condições de vida, algumas crianças desacompanhadas e vivendo em abrigos sofrem com estresse, altos índices de ansiedade, agressão e violência.

A agência também cita comportamentos de alto risco como uso de drogas e prostituição.

Segundo o UNICEF, a guerra, a destruição, a morte de amigos e familiares e uma viagem perigosa, exacerbados por condições de vida ruins em campos na Grécia ou procedimentos de asilo longos, podem levar a problemas de estresse pós-traumático.

A agência da ONU, em parceria com o governo grego e ONGs, estão priorizando apoio adequado para crianças migrantes e refugiadas, para atender suas necessidades psicossociais e de saúde mental.

Plano de transferência de recursos

A União Europeia e o UNICEF lançaram na quinta-feira (16) um projeto de transferência de dinheiro em larga escala, avaliado em 34 milhões de euros, para aumentar o número de crianças refugiadas na Turquia que frequentam a escola.

Trata-se do Projeto de Transferência Monetária Condicional para Educação, que visa a alcançar cerca de 230 mil crianças no país.

A Turquia acolhe atualmente mais de 3 milhões de refugiados, dos quais quase metade são crianças. Desse contingente, meio milhão já está matriculado nas escolas. No entanto, estima-se que mais de 370 mil permaneçam fora do sistema educacional.

“A educação em situação de emergência é a prioridade máxima da UE. O nosso dever moral é salvar esta geração de crianças refugiadas e investir no futuro delas”, afirmou o comissário europeu para a ajuda humanitária e gestão de crises, Christos Stylianides.

“Graças à generosidade da UE e à liderança da Turquia, o UNICEF e nossos parceiros já estão ajudando milhares de crianças a ir a escolas e a aprender. O projeto vai nos ajudar a alcançar 230 mil crianças, um passo importante na prevenção de uma geração perdida”, acrescentou o diretor-executivo do UNICEF, Anthony Lake.

Até maio de 2017, transferências de recursos bimestrais serão feitas para famílias de refugiados vulneráveis ​​cujos filhos frequentam a escola regularmente.

O projeto também inclui um componente estratégico de proteção à criança, a fim de garantir a continuidade da matrícula escolar e o atendimento das crianças refugiadas mais vulneráveis, bem como seu encaminhamento a serviços complementares de proteção infantil, caso necessário.

O projeto será executado conjuntamente pelo governo da Turquia, UNICEF e pelo Crescente Vermelho turco.

Foto de Capa – créditos: Ayesh, de 12 anos, fugiu da província de Idlib, na Síria, para a Turquia, e deixou de frequentar a escola. Foto: UNICEF/Shehzad Noorani

FONTEONU BRASIL
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