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Vaquinha busca reformar casa de Dona Lourdes, mãe de Leide das Neves, símbolo da tragédia do Césio-137 em Goiânia

Algumas tragédias continuam muito depois de saírem das manchetes. Elas ficam na rotina, nas contas, nos remédios, nas marcas que o tempo não apaga.

É nesse ponto que a história de Dona Lourdes toca: mãe de Leide das Neves, um dos rostos mais lembrados do acidente com o Césio-137, ela hoje tenta realizar um desejo que parece simples, mas carrega peso de vida real — reformar a casa onde mora, em Aparecida de Goiânia.

O acidente radiológico aconteceu em setembro de 1987, contaminou centenas de pessoas e deixou quatro mortos, entre eles Leide, que se tornou símbolo daquela tragédia em Goiás.

A mobilização foi criada pelo antropólogo Jorge Cordeiro e transforma solidariedade em algo muito concreto: ajudar Dona Lourdes a recuperar o espaço onde vive.

A proposta parte de uma constatação dura, mas muito humana. Depois de tudo o que essa família atravessou, ainda há necessidades básicas batendo à porta.

Falar de reforma, nesse caso, é falar de dignidade, acolhimento e de um mínimo de conforto para quem carrega uma história atravessada por perda, preconceito e resistência.

Nos relatos divulgados sobre a campanha, Jorge descreve o encontro com Dona Lourdes como uma experiência que mexe profundamente.

Ele fala da luta por medicamentos, da saudade que segue presente e de uma mulher que, mesmo depois de tanta dor, continua firme. Acesse a campanha aqui.

Também chama atenção para um detalhe que diz muito sobre a realidade dela hoje: o sonho não passa por luxo nem grandes planos, mas por uma casa menos castigada pelo tempo, pelas infiltrações e pelo desgaste dos anos.

A campanha também devolve à discussão um tema que Goiânia jamais deveria tratar com distância: a preservação da memória do Césio-137.

Ao dar visibilidade à história de Dona Lourdes, a vaquinha recoloca no centro uma pergunta incômoda sobre como o poder público e a própria sociedade lidam com sobreviventes de uma das páginas mais traumáticas do país.

Lembrar desse passado, aqui, passa longe de cerimônia vazia. Tem a ver com cuidado, responsabilidade e com a escuta de quem continua vivendo as consequências dele.

Na página da vaquinha, a arrecadação exibida já aparece em R$ 6.500,56, acima da meta inicial de R$ 6.500, com 70 apoiadores e 124 corações recebidos. Quem quiser contribuir pode doar pela própria plataforma ou via Pix, pela chave 6038610@vakinha.com.br

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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