Quando Maneco Bueno morreu, em outubro de 1981, a medicina ainda tentava entender o que estava acontecendo. Os primeiros casos de uma grave deficiência imunológica haviam sido relatados poucos meses antes nos Estados Unidos, e a síndrome só receberia uma definição mais clara em 1982. No Brasil, muitos diagnósticos daquele período precisaram ser reconhecidos retrospectivamente.
Maneco tinha 31 anos e vinha conquistando espaço na televisão brasileira. Seu nome completo era Manoel Rubens de Campos Silveira Bueno. Nascido em São Paulo, em 8 de março de 1950, ele trabalhou como ator, diretor e figurinista, reunindo experiências no teatro, na televisão e no cinema.
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Formado em teatro em 1972, Maneco participou de montagens conhecidas. Esteve no musical Jesus Cristo Superstar, interpretou Cebolinha no espetáculo infantil A Turma da Mônica Contra o Capitão Feio e integrou o elenco de O Homem de La Mancha, produção estrelada por Bibi Ferreira e Paulo Autran.
A estreia na televisão aconteceu em 1979, na novela Memórias de Amor, exibida pela TV Globo. Maneco interpretou Sérgio Pompéia, um jovem que deixa o interior após a morte da mãe e passa a estudar no rígido Colégio Ateneu.
Na trama, Sérgio enfrenta conflitos dentro do internato e se apaixona por Maria, personagem de Myrian Rios. O papel tinha bastante destaque e colocou o ator entre os principais nomes da produção, inspirada no romance O Ateneu, de Raul Pompeia.
Maneco também participou do seriado policial Plantão de Polícia, aparecendo no episódio chamado “Balão Apagado”. Em Sítio do Picapau Amarelo, viveu Romeu em uma adaptação da história de Romeu e Julieta produzida para o programa infantil.
Em 1980, o ator integrou o elenco de Olhai os Lírios do Campo, adaptação do livro de Erico Verissimo. Ele interpretou Acélio Castanho, médico formado na mesma turma de Eugênio, vivido por Cláudio Marzo, e Olívia, personagem de Nívea Maria.
Acélio era apresentado como um médico ligado à literatura e às artes, amigo de Cintra, interpretado por Sérgio Britto, e apaixonado por Eunice, papel de Thaís de Andrade. A novela acabou se tornando o último trabalho de Maneco nesse formato.
No mesmo período, ele chegou ao cinema com o filme O Grande Palhaço, lançado em 1980. Embora sua carreira diante das câmeras tenha sido curta, Maneco conseguiu participar de novelas, seriados, produções infantis, musicais e filmes em poucos anos de atividade profissional.
Maneco Bueno faleceu em São Paulo, em 24 de outubro de 1981. Acervos dedicados à história da televisão registram sua morte como decorrente da AIDS, tornando-o um dos primeiros brasileiros conhecidos a morrer por complicações associadas à síndrome.
A informação precisa ser entendida dentro do contexto daquele momento. O primeiro caso brasileiro atualmente reconhecido ocorreu em São Paulo, em 1980, mas só foi classificado como AIDS dois anos depois. Quando Maneco morreu, ainda não existiam testes específicos para detectar o HIV, e o próprio vírus seria identificado pelos pesquisadores posteriormente.
Também existe uma diferença importante entre HIV e AIDS. HIV é o vírus que ataca o sistema imunológico. AIDS é o estágio mais avançado da infecção, caracterizado pelo enfraquecimento das defesas do organismo e pelo aparecimento de infecções oportunistas ou outras complicações. Uma pessoa pode viver com HIV sem desenvolver AIDS, especialmente quando recebe tratamento adequado.
Durante os anos 1980 e a primeira metade da década de 1990, as opções de tratamento eram bastante limitadas. Além da elevada mortalidade, pessoas diagnosticadas enfrentavam desinformação, isolamento e preconceito, fatores que também dificultavam a prevenção e o acesso aos cuidados médicos.
A situação começou a mudar com a terapia antirretroviral combinada. Em 1996, o Brasil aprovou a Lei nº 9.313, que garantiu a distribuição gratuita de medicamentos pelo sistema público de saúde. O uso do chamado coquetel reduziu de maneira expressiva as mortes e as infecções oportunistas relacionadas à AIDS.
Atualmente, o tratamento impede a multiplicação do vírus, preserva o sistema imunológico e permite que pessoas vivendo com HIV tenham maior expectativa e qualidade de vida. Quando a terapia mantém a carga viral indetectável, o HIV também não é transmitido por via sexual, princípio conhecido como “Indetectável = Intransmissível”.
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