Erick Morais

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia

“Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia”, sem estar verdadeiramente comigo, sem prestar atenção no que falo, sem se importar com o que sinto, sem sensibilidade para perceber quando quero chorar e sem graça para rir junto comigo.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer um abraço, daqueles bem apertados que estralam os ossos e nos deixam seguros. Odeio ter conversas rasas com pessoas que falam sempre as mesmas coisas, que não conseguem ser profundas e têm medo de expor as suas dores.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer um olhar sincero, daqueles tipo isca no anzol da alma. Odeio ter que estar com pessoas que não conseguem olhar nos meus olhos e ficam sempre a procurar um outro horizonte, como se o que eu dissesse não fizesse o menor sentido.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer inquietação, sem provocar a minha curiosidade, a minha fome em saber mais, o meu desejo de devorar tudo de forma antropofágica.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer sua nudez, suas dores mais profundas, escondidas nos cantos longínquos da alma, as frustrações que angustiam e esmagam o peito, as feridas das quedas que tivera tentando subir a montanha.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer sua loucura, suas alegrias mais simples, seus desejos mais profundos, seus sonhos impossíveis, seus pequenos pecados, seus segredos mais ocultos, seus momentos de maior felicidades, suas piadas menos engraçadas.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer uma canção espontânea, sem me oferecer uma boa dose de existencialismo para que possamos divagar sobre o tempo, sobre o sentido da vida, sobre os homens, sobre o amor, sobre Deus.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer seu ouvido para que eu saiba que existe alguém disposto a me escutar, disposto a me entender, disposto a sentir a minha dor e gozar com a minha alegria.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer até logo para que eu sinta saudade e nunca perca a vontade de estar junto. Odeio quem chega à minha vida e logo se vai, por vontade própria, como se eu fosse apenas uma ponte para se chegar a um lugar.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer a verdade. A verdade que às vezes assusta e outras tantas machuca. A verdade que precisa ser dita, ainda que se chore. A verdade corajosa que quer ser sincera e não gosta de falar desviando os olhos. Odeio relações de mentira, porque a verdade, mesmo quando dói, é uma.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer profundidade, para que eu possa mergulhar sem medo de esbarrar em alguma pedra, para que eu possa dançar na chuva sem medo de pegar um resfriado, para que eu possa sentir a vulnerabilidade inesgotavelmente valente de quem não quer lutar, mas vencer junto.

Odeio quem me rouba a solidão sem em troca me oferecer verdadeira companhia, sem me fazer sonhador querendo ludibriar o tempo, para que possa esconder memórias tão belas onde Cronos não possa acessar. Quando isso acontece, amo quem me rouba a solidão, que se transforma em unidade, um pássaro encantado, que corta o céu e sob a sombra serena de uma árvore busca repousar.

Erick Morais Morais

http://genialmentelouco.blogspot.com.br/ "Poderia dizer o que faço, onde moro; mas, sinceramente, acho clichê. Meus textos falam muito mais sobre mim. O que posso dizer é que sou um cara simples. Talvez até demais. Um sonhador? Com certeza. Mais que isso. Um caso perdido de poesia ou apenas um menestrel caminhando pelas ruas solitárias da vida.

Share
Published by
Erick Morais Morais

Recent Posts

Foto de idosa com os pés no mar emociona nas redes, mas também foi manipulada – consegue achar o erro?

Uma senhora muito idosa, sentada em uma cadeira de praia, mantém a bengala ao lado…

4 dias ago

Cadelinha com deficiência é abandonada com uma bolsa de fraldas e um bilhete

Quando funcionários de um estabelecimento em Salta, no norte da Argentina, encontraram Lunita na rua,…

4 dias ago

A voz latina mais promissora foi silenciada a tiros pela pessoa em quem mais confiava

Selena Quintanilla já era uma das maiores estrelas da música tejana quando começou a preparar…

5 dias ago

Jovem de 23 anos desenvolve condição rara chamada “síndrome da cabeça caída” por causa de hábito ridículo

Um caso médico registrado no Irã chamou a atenção por uma associação pouco comum entre…

5 dias ago

Objeto encontrado na cozinha da vovó parece uma arma, mas tem uma função bem diferente

Uma peça metálica encontrada durante a limpeza da casa da avó foi suficiente para provocar…

5 dias ago

Os gêmeos Sprouse hoje: por dentro da vida deles aos 34 anos

Para quem acompanhou a televisão e o cinema no fim dos anos 1990 e ao…

5 dias ago