Se você já teve a sensação de estar perdendo alguns mililitros de gasolina a cada abastecimento, saiba que não está sozinho.
Uma publicação recente nas redes sociais reacendeu a desconfiança de motoristas sobre um suposto truque dos postos: segundo o vídeo viral, esticar a mangueira sobre o carro garantiria até “um litro a mais” de combustível — caso contrário, esse volume acabaria ficando “de presente” para o posto. Mas será que esse raciocínio faz algum sentido?
Para esclarecer o assunto, o portal UOL Carros procurou especialistas no setor: a Raízen, licenciada da Shell no Brasil, e duas grandes fabricantes de bombas de combustível, a Wayne e a Gilbarco Veeder-Root.
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Todas afirmam que há sim um pequeno acúmulo de combustível dentro da mangueira, mas a história de sair perdendo um litro inteiro está longe da realidade.
O motivo está no funcionamento da bomba de combustível. Tudo começa nos tanques subterrâneos do posto, onde o combustível é armazenado. Quando o frentista aciona a bomba, um motor hidráulico suga o combustível por meio de um tubo, direcionando-o para a mangueira, até o bico que abastece o carro.
Todo esse processo é controlado por um sistema eletrônico que já contabiliza o volume desde o início do fluxo — ou seja, o combustível que fica dentro da mangueira já entrou na conta da bomba.
Outro ponto importante: essas bombas são obrigadas a seguir uma série de normas técnicas estabelecidas pelo Inmetro. Por isso, as mangueiras possuem uma malha interna de aço, que evita deformações ou compressões. Isso garante que o volume de combustível nelas não varie, independentemente da posição em que estejam.
E tem mais: mesmo que reste uma pequena quantidade de gasolina na mangueira, ela não é “roubada” pelo posto. Esse combustível é liberado no próximo abastecimento, o que cria um tipo de compensação automática entre um cliente e outro.
Além disso, o bico de abastecimento é equipado com válvulas internas que impedem qualquer vazamento ou escoamento não contabilizado.
Portanto, manter a mangueira dobrada ou esticada não vai fazer diferença alguma no quanto você está levando para casa. A tentativa de “enganar” o sistema, inclusive, pode gerar riscos desnecessários, como danos à pintura do carro.
A orientação dos especialistas é simples: confie nos equipamentos certificados e, se desconfiar de algum posto, exija a aferição com medidor padrão, direito garantido por lei.
No fim das contas, o famoso “golpe da mangueira” é mais boato do que fato. E agora, da próxima vez que ouvir essa teoria na fila do posto, você já sabe exatamente como responder.
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