Atualidades

As mães nunca morrem – texto de Fabíola Simões

Há uma frase linda, atribuída a Marcos Luedy, que diz: “As mães nunca morrem. Elas entardecem, tingem de nuvens os cabelos e viram pôr do sol”.

Estive refletindo sobre essa frase recentemente, depois que um amigo perdeu a mãe repentinamente. É difícil consolar alguém numa situação dessas, ainda mais se nunca passamos por isso. Mas imagino que, com o tempo, essa falta se transforme em algo mais suave e suportável, semelhante à descoberta de que as mães não morrem, elas continuam vivas dentro de nós, nos gestos, nas características que herdamos e principalmente no olhar que é nosso, mas que a partir desse momento também carregará um tanto da percepção e sensibilidade delas.

Lidar com a ausência, com a dor dilacerante proveniente da falta, com o vazio que resta e que não pode ser preenchido por nada, é difícil e assustador. Mas então, num dia inesperado, talvez a gente entenda que as coisas não acabam, elas se transformam. E com as mães não poderia ser diferente. Mais que importantes, elas são matrizes do tecido de que somos feitos. Mais que necessárias, são um eco dentro de nós nos lembrando o caminho a seguir. E mesmo aquelas que não geraram, emprestaram a seus filhos características que ajudaram a construir quem eles se tornaram. Isso não se perde quando elas partem. Sempre residirá naquele emaranhado de histórias, manias, gestos e percepções, se somando às experiências vividas e adquiridas, mas permanecendo e resistindo como memória viva e indestrutível.

Minha mãe tem o belíssimo costume de fazer livros de memórias para seus netos. Em cada página, um pedacinho de si mesma e de seu afeto por eles e por nós, seus filhos. Esses cadernos decorados serão herdados pelas nossas crianças e perpetuarão a memória de minha mãe no futuro. Porém, muito além da garantia dos cadernos, ela permanecerá viva pela forma como toca cada um de nós: com amor, alegria, generosidade e compreensão. Enquanto nós vivermos, essas sensações jamais serão perdidas.

As mães nunca morrem. Elas se afastam, e a neblina das primeiras horas encobre o que antes era visível e palpável. Dentro de nós, antigos sons chamando para o jantar ou contando histórias antes de dormir nos dão a certeza de que, mesmo que se diga que tudo passa, elas não passarão. O que acontece é que elas se transformam. Vão entardecendo e sendo encobertas, mas caminharão para sempre junto de nós, na alma e no coração.

Revista Pazes

Uma revista a todos aqueles que acreditam que a verdadeira paz é plural. Àqueles que desejam Pazes!

Recent Posts

Se você só pudesse morar em uma destas casas, o que sua escolha revelaria sobre sua mente?

Escolher uma casa envolve muito mais do que avaliar tamanho, beleza ou localização. Mesmo diante…

2 dias ago

Qual bebê dorme como você? A resposta pode revelar o seu verdadeiro grau de preguiça

A forma como uma pessoa ocupa a cama pode mudar várias vezes durante a noite.…

5 dias ago

Sua escolha nesta imagem diz muito sobre quem você será na velhice. Teste agora!

Algumas escolhas são feitas antes mesmo de encontrarmos uma explicação lógica para elas. Um olhar,…

5 dias ago

Escolha a cama onde dormiria para sempre e descubra um detalhe curioso sobre sua personalidade

Uma cama costuma ser escolhida pelo conforto, mas o ambiente ao redor dela também pesa…

5 dias ago

Vendido com um mês de vida, ele guardou este segredo inacreditável até completar 85 anos

Quando Preely Coleman começou a falar, boa parte dos norte-americanos que haviam nascido durante a…

5 dias ago

Ela partiu primeiro, mas o que ele fez dois dias depois mudou para sempre a história da cidade

Há fotografias antigas que exigem alguns segundos até serem compreendidas. Em uma delas, registrada no…

5 dias ago