Indicação de Filme

A nova série com Tom Hiddleston que transforma fé e ciência em um duelo eletrizante

Tem minissérie que entrega clima, elenco forte e um conflito que dá vontade de pausar pra pensar — e “A Serpente de Essex” (2022) é exatamente assim.

Disponível no Apple TV+, a produção adapta o romance de Sarah Perry e usa a Inglaterra vitoriana como palco para uma história em que superstição e curiosidade científica batem de frente o tempo todo.

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No centro está Cora Seaborne (Claire Danes), recém-viúva, tentando reorganizar a própria vida quando decide sair de Londres e ir para Essex. O motivo?

Um burburinho que toma conta da região: moradores juram que uma criatura antiga voltou a rondar a área — a tal “Serpente de Essex”. Em vez de comprar o medo pronto, Cora faz o oposto: observa, pergunta, investiga e vai cutucando as certezas de todo mundo.

Só que, naquele lugar, o pânico não nasce do nada. A lenda vira explicação “fácil” para tragédias, sumiços e coincidências que ninguém sabe encaixar.

E é aí que a série fica interessante: enquanto Cora tenta trazer lógica e método para o que está acontecendo, a comunidade se agarra ao que conhece — e isso inclui fé, tradição e a necessidade de ter uma resposta, mesmo que ela seja assustadora.

Nesse cenário, Cora cruza o caminho do vigário Will Ransome (Tom Hiddleston). O vínculo entre os dois cresce com força porque não é um romance de frase pronta: é uma conexão cheia de tensão, admiração e choque de valores.

Ele representa a fé que sustenta a comunidade; ela, a mente inquieta que se recusa a aceitar explicações sem prova. E quando a situação em Essex aperta, essa relação vira um campo minado.

“A Serpente de Essex” também acerta ao tratar de temas bem humanos sem transformar tudo em discurso: luto, desejo, culpa, reputação e aquela pressão social para “se comportar” do jeito esperado — especialmente para uma mulher que decide pensar por conta própria.

O resultado é uma minissérie que usa o mistério como motor, mas se destaca mesmo é na forma como mostra pessoas tentando encontrar sentido num tempo em que ciência e crença ainda disputavam a mesma mesa.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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