O Livro do Desassossego é, sem dúvidas, uma das mais belas obras do poeta português Fernando Pessoa, que nela aparece sob o heterônimo de Bernardo Soares, um ajudante de guarda-livros (profissional contábil) que vive em Lisboa.
Escrita no que mais se aproxima de uma prosa poética, um diário de pequenos trechos, alguns até mesmo inconclusos, a obra é permeada por temas como a vacuidade da ação, das grandes narrativas metafísicas e dos fatos históricos, mas, sobretudo, pela angústia particular, por vezes indiferença, de um homem que, não sabendo lidar com o fato de estar vivo, depositou nas sensações e na imaginação todos os seus motivos. O tédio em que vive é, antes de tudo, a sensação de que “não vale a pena fazer nada”, pois, como ele observa, toda ação exige uma dose tremenda de fé. Como dar sequência à vida diária com esta convicção imponente?
“A mania do absurdo e do paradoxo é a alegria animal dos tristes. Como o homem normal diz disparates por vitalidade, e por sangue dá palmadas nas costas de outros, os incapazes de entusiasmo e alegria dão cambalhotas na inteligência e, a seu modo, fazem os gestos da vida”.
Frente à autoconsciência, que faz dos outros apenas espectros, o que se tornam as relações sociais? Um vislumbre, assim como todos os seus aspectos: a comunicação, a arte, a escrita, a política, etc. O Livro do Desassossego, ainda que cheio de temas abordados pela filosofia, é um livro sobre as sensações de um homem que encontrou o contraponto da vida mecanicamente vivida, do cansaço e da poesia, descrevendo-o com muita lucidez.
Felizmente, a obra está disponível em domínio público, e você pode ter acesso a ela clicando aqui. Boa leitura.
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