Uma excursão durante a primeira parada de um cruzeiro de luxo pela Austrália terminou de forma trágica depois que uma passageira de 80 anos não retornou ao navio e acabou ficando sozinha em uma ilha remota. O caso de Suzanne Rees ganhou ainda mais repercussão após sua filha revelar as circunstâncias que antecederam a morte e questionar os cuidados oferecidos pela empresa responsável pela viagem.
Suzanne, moradora de Sydney, participava de uma viagem de 60 dias a bordo do Coral Adventurer, operado pela Coral Expeditions. O roteiro previa uma volta pela costa australiana, e Lizard Island, localizada na Grande Barreira de Corais, era a primeira parada da programação.
Na manhã de 25 de outubro de 2025, ela se juntou a outros passageiros em uma caminhada até Cook’s Look, um dos pontos elevados da ilha. Segundo o relato posteriormente divulgado pela filha, Katherine Rees, o dia estava muito quente e Suzanne começou a passar mal durante a subida. Ela teria sido orientada a retornar, mas fez o caminho de volta sem acompanhamento.
Horas depois, o navio deixou Lizard Island sem que Suzanne estivesse a bordo.
Dados de rastreamento divulgados posteriormente indicaram que o Coral Adventurer deixou a ilha por volta das 15h40. A ausência da passageira teria sido percebida somente durante o jantar, por volta das 18h, quando ela não apareceu. O navio começou a retornar para Lizard Island às 20h43 e já estava a cerca de 100 quilômetros de distância.
A Autoridade Australiana de Segurança Marítima, a AMSA, foi avisada sobre o desaparecimento por volta das 21h. Uma operação de busca por terra e mar foi então iniciada com participação das autoridades locais.
O corpo de Suzanne foi encontrado no dia seguinte, 26 de outubro, nas proximidades da trilha percorrida durante a excursão. A polícia de Queensland informou que a morte estava sendo tratada como não suspeita e que um relatório seria encaminhado ao legista responsável pelo caso.
Para Katherine, no entanto, ainda existem perguntas importantes sobre a maneira como a situação foi conduzida. Ela afirmou que, pelas informações recebidas da polícia, acredita ter ocorrido uma falha nos cuidados oferecidos à mãe.
A filha destacou principalmente dois pontos: Suzanne teria sido orientada a descer sozinha depois de passar mal e, segundo ela, o navio aparentemente partiu sem que fosse feita uma conferência adequada dos passageiros.
Katherine também descreveu a mãe como uma pessoa saudável e ativa e disse esperar que a investigação esclareça quais procedimentos poderiam ter evitado a tragédia.
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O caso provocou a abertura de diferentes apurações na Austrália. Além da polícia de Queensland e do legista estadual, a AMSA e o órgão de segurança do trabalho de Queensland passaram a analisar as circunstâncias da morte. Entre os pontos investigados está justamente a razão pela qual Suzanne não teria sido contabilizada durante o retorno dos passageiros ao navio.
O Coral Adventurer tem 93 metros de comprimento e capacidade para cerca de 120 passageiros. A viagem na qual Suzanne embarcou havia começado em Cairns em 24 de outubro e deveria durar dois meses. Cabines com varanda para o roteiro chegaram a ser anunciadas por aproximadamente 86,4 mil dólares australianos por pessoa.
Em comunicado divulgado após o episódio, Mark Fifield, diretor-executivo da Coral Expeditions, lamentou a morte da passageira e afirmou que a companhia estava cooperando com as investigações. A empresa também confirmou que uma operação de busca e resgate havia sido iniciada assim que a ausência foi identificada.
Dias depois, a operadora decidiu cancelar o restante da viagem. Os passageiros foram retirados do roteiro e receberam a promessa de reembolso integral. A empresa atribuiu a decisão tanto à morte de Suzanne quanto a problemas mecânicos registrados durante a viagem.
Quando o navio retornou à região de Cairns, investigadores da autoridade marítima australiana embarcaram na embarcação para dar continuidade à apuração. O foco incluía os procedimentos adotados para contabilizar os passageiros depois das excursões em terra, justamente uma das principais questões levantadas pela família de Suzanne desde os primeiros dias após sua morte.
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