A morte de Christopher Todd Erick, aos 23 anos, já cercava sua família de dúvidas havia anos quando sua mãe, Kim Erick Smith, passou a sustentar uma acusação ainda mais incomum: ela acredita que o corpo plastinado exibido em uma mostra de anatomia em Las Vegas seja o de seu filho.
Christopher foi encontrado morto em 10 de novembro de 2012 na casa da avó, em Midlothian, no Texas. Inicialmente, as autoridades atribuíram a morte a causas naturais. A autópsia apontou que ele havia sofrido dois ataques cardíacos pouco antes de morrer.
A explicação, porém, mudou cerca de um mês depois. A pedido de Kim, uma amostra de sangue do jovem foi submetida a novos exames e revelou uma quantidade letal de cianeto. A causa da morte foi então alterada para intoxicação por cianeto, enquanto a forma como ele morreu ficou oficialmente classificada como indeterminada.
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O caso chegou a um grande júri no condado de Ellis em 2014, mas nenhuma pessoa foi indiciada. O promotor distrital Patrick Wilson afirmou na época que a investigação não encontrou elementos suficientes para sustentar a hipótese de assassinato. Kim, por sua vez, nunca aceitou essa conclusão e continuou buscando respostas por conta própria.
Foi durante essa busca que surgiu a alegação que voltou a colocar o caso em evidência.
Segundo Kim, em 2018 ela se deparou com imagens de um espécime humano da exposição Real Bodies, atração de anatomia que utiliza corpos reais preservados. A figura, conhecida como “The Thinker” (“O Pensador”), mostrava um corpo sentado, com músculos e outras estruturas anatômicas expostas.
A mãe afirma ter reconhecido imediatamente características que associou ao filho.
Kim disse que uma marca na região da cabeça seria semelhante a uma fratura que constava nos registros médicos de Christopher. Também chamou sua atenção a área de um dos ombros, justamente onde o jovem possuía uma tatuagem. Segundo ela, aquela parte do espécime parecia ter sido removida ou modificada.
A partir dessas semelhanças, Kim passou a defender que o corpo exposto poderia ser o de Christopher e iniciou uma campanha para que fossem realizados exames de DNA no espécime. A alegação, no entanto, não foi comprovada.
A Imagine Exhibitions, empresa responsável pela Real Bodies, rejeitou publicamente a possibilidade de o espécime pertencer a Christopher.
Em comunicado enviado ao site de verificação Lead Stories, a empresa afirmou que não existe base factual para a acusação e que o corpo mencionado já estava sendo exibido em Las Vegas desde 2004, oito anos antes da morte do jovem. A companhia também declarou que os espécimes utilizados pela exposição foram obtidos de forma ética.
Esse ponto da cronologia é particularmente importante. O Lead Stories localizou fotografias arquivadas do espécime datadas de antes de 2012, o que contradiz diretamente a possibilidade de ele ter sido produzido a partir do corpo de Christopher após sua morte.
A própria técnica usada para preservar os corpos também pesa contra a hipótese. A plastinação é um processo demorado no qual líquidos e gorduras dos tecidos são substituídos por materiais preservadores, permitindo que estruturas anatômicas sejam mantidas por longos períodos.
Apesar das evidências apresentadas pela empresa e pela checagem independente, Kim continua desconfiando do destino dado aos restos mortais do filho e defende a realização de um teste genético como forma de encerrar definitivamente a questão.
Segundo relatos publicados sobre o caso, ela também afirma que o espécime que acreditava ser Christopher deixou de ser exibido em Las Vegas e posteriormente teria sido levado para o Tennessee. Não há evidências independentes de que essa mudança tenha qualquer relação com seu filho.
Para Kim, a ausência de uma confirmação por DNA mantém vivas as dúvidas que começaram logo depois da morte de Christopher. Para a empresa responsável pela exposição, porém, a cronologia é suficiente para descartar a identificação: o espécime já fazia parte da mostra anos antes de o jovem morrer.
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