Tenho certeza que você já experimentou o sentimento de carência em um dos lados de um relacionamento amoroso, ou, já soube de outro casal, que tenha vivenciado essa situação.

Afinal, o que significa carência? É quando um dos pares do casal não tem sua necessidade de amor e atenção satisfeitas, ou seja, quando um dos cônjuges não tem atitudes que demonstrem seu afeto e, a consequência disso é que o outro não sente o reflexo do seu sentimento.

Muitas vezes em um relacionamento ocorrem diversas demandas como, o parceiro dedicado em uma atividade profissional intensa ou uma simples desatenção provocada pela rotina embriagante. Do outro lado temos um dos parceiros sentindo que sua necessidade de amor não é suprida, por vezes, comunicando verbalmente, outras em atitudes de distanciamento. O que fazer nessas situações? Se formos pensar que o casamento, nos moldes atuais que ambos possuem sua independência econômica e estão juntos movidos por um sentimento, a motivação daquela relação é para satisfação do Amor.

Dessa forma, qual sentido teria de ambas partes estarem casados se não houver dedicação para a manutenção da união? Será que se perde a importância da conquista com o passar dos anos? Será que a Zona de Conforto não interfere que o cônjuge prefira dizer em alto e bom som “ eu sou assim e se não estiver satisfeito não podemos ficar juntos”? Acredito que sim, a Zona de Conforto se apresenta ao casamento depois do SIM para o Padre, ele vem infiltrado no dia-a-dia do casal, sem ser convidado e se faz presente nos lares, demandando tremenda habilidade e luta para tentar minimizar aquela vozinha que fala sorrateiramente em nossos ouvidos “Ele (a) te ama e vai te continuar amando”. Mas, nem sempre isso funciona, pois a carência às vezes se transforma em indiferença seguida de frustração e o dia que acontece algo positivo parece perder seu valor e importância.

É como se uma gota de chuva caísse em terreno de seca, não faz o efeito esperado. Ouso dizer que parece um ciclo vicioso, no qual quanto mais carente um dos parceiros está, maior é o distanciamento do casal e como consequência, a gradativa separação. Isso acontece, talvez, porque o sentimento de rejeição que acompanha a carência também provoque questionamentos acerca de seu valor na relação, podendo gerar inseguranças desnecessárias. Alguns casais ficam ofuscados por esse problema e a solidão à dois é tão devastadora, que em determinado momento, um dos cônjuges opta por separar-se.

Esses tempos conversava com uma amiga que notou que seu casamento tinha virado relação de uma pessoa só. Em algumas brigas ela verbalizava sobre sua carência com seu companheiro, mas escutava retornos frequentes sobre seu jeito de ser “exigente” demais, pesada e pouco compreensiva. Por vezes, ela notava que o parceiro terceirizava sua dedicação, ou se escondia em suas multitarefas. Essa minha amiga, perdeu a vontade de continuar lutando pela relação, pois não se sentia ouvida. Percebia que sua voz não tinha eco, e as tentativas frustradas de diálogo a sufocaram em solidão.

Foi então, que depois de frequentes tentativas de fazer diferente e sem obter retorno, a mesma foi embora dessa relação, sem pensar duas vezes. Se era para estar sozinha, que fosse sem cônjuge, assim poderia aproveitar o lado bom de estar descomprometida. Você deve estar se perguntando, “- Então, essa sua amiga ficou esperando o amor do outro, ou criou expectativas? ” Te respondo: – Lógico! Digo sim para as duas questões. O amor precisa de demonstrações de afeto e de surpreender o outro constantemente.

Não há relação amorosa sem trocas afetivas e sem reconhecimento do parceiro. Expectativa de ser amado e ter trocas faz parte de uma relação afetiva. Isso é intrínseco pela psique do ser humano, querer ser amado. Sem essa de amor incondicional, pois o amor não sobrevive sem espelho, retorno.

Devemos estar atentos ao nosso relacionamento, se o mesmo tem valor para nós. Não podemos deixar o nosso Amor sozinho num barco, esperando a maré guiar a direção da relação. O mar, assim como o amor, é imprevisível e quando o abandonamos à deriva pode ser que seja tarde demais. A chance de não encontrarmos o que um dia acreditamos ser o amor da nossa vida, pode ser que a tempestade já tenha levado nas correntezas do mar.

Paula Eckstein

Psicóloga, Coach de Relacionamentos, Coautora do Livro “Sem Limites”. Responsável pela empresa Casal Descomplicado. A minha missão de vida é auxiliar as pessoas a potencializarem suas experiências com o Amor. Quer saber mais? contato@casaldescomplicado.com.br

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