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Sua mãe a internou em uma instituição, onde ela foi obrigada a limpar banheiros… hoje, ela é uma multimilionária de Hollywood

Aos sete anos, Drew Barrymore já tinha um rosto reconhecido por milhões de pessoas. Aos 13, estava internada em uma instituição de tratamento e tentando colocar a própria vida nos trilhos. Pouco depois, quando Hollywood praticamente havia fechado as portas para ela, precisou trabalhar em empregos comuns e chegou a limpar banheiros para se sustentar.

A distância entre a menina de E.T. – O Extraterrestre e a mulher que décadas depois comandaria filmes, empresas e seu próprio programa de televisão é bem maior do que sua carreira diante das câmeras deixa perceber.

Drew nasceu em 22 de fevereiro de 1975, na Califórnia, dentro de uma tradicional família de atores. A exposição profissional começou cedo demais até para os padrões de Hollywood: ela apareceu em um comercial antes de completar um ano e, aos sete, tornou-se mundialmente conhecida interpretando Gertie em E.T. – O Extraterrestre, dirigido por Steven Spielberg.

O sucesso, porém, colocou uma criança em ambientes e situações normalmente reservados a adultos.

Ela começou a beber aos 9 anos

Criada principalmente pela mãe, Jaid Barrymore, Drew passou a acompanhá-la em festas e casas noturnas ainda muito jovem. O Los Angeles Times relata que ela tomou sua primeira bebida alcoólica aos nove anos e, poucos anos depois, já havia experimentado maconha e cocaína.

A relação familiar também carregava problemas antigos. Seu pai, o ator John Drew Barrymore, esteve pouco presente durante sua infância, e Drew relatou posteriormente episódios de comportamento abusivo e violento dentro da família. A convivência com a mãe também se tornou cada vez mais complicada conforme a fama da menina crescia.

Enquanto outras crianças da mesma idade frequentavam escola e brincavam com amigos, Drew circulava por festas, sets de filmagem, entrevistas e compromissos profissionais.

Aos 12 e 13 anos, a situação havia saído de controle.

A internação determinada pela própria mãe

Aos 13 anos, Drew foi enviada pela mãe para uma instituição de tratamento em Van Nuys, na Califórnia. Ela permaneceu internada durante cerca de 18 meses, recebendo tratamento relacionado ao consumo de álcool e drogas.

Anos mais tarde, em entrevista ao The Guardian, a atriz contou que sua mãe tomou a decisão sem avisá-la previamente. Drew também explicou que aquele era um local fechado e que simplesmente ir embora por vontade própria estava fora de questão.

Na época, ela reagiu com revolta. Vista à distância, porém, a experiência ganhou outro significado para a atriz. Barrymore afirmou que a rígida disciplina do período acabou sendo importante para reorganizar sua vida.

Durante a adolescência, ela também atravessou uma grave crise emocional e chegou a tentar tirar a própria vida, episódio que levou a outro período de tratamento.

E os banheiros que Drew precisou limpar?

Aqui existe um detalhe frequentemente distorcido nas versões da história que circulam pelas redes sociais.

Drew realmente foi internada pela mãe e realmente chegou a limpar banheiros. As duas coisas, porém, ocorreram em momentos diferentes.

Depois de deixar a instituição, a atriz enfrentou dificuldades para conseguir trabalho em Hollywood. Aos 15 e 16 anos, aquele rosto conhecido desde E.T. já encontrava resistência nos estúdios. Ela passou então a trabalhar em restaurantes e em uma cafeteria, onde suas tarefas incluíam limpar banheiros, vitrines e outras áreas do estabelecimento.

Ou seja, os banheiros faziam parte de seus empregos após a internação, e não de uma punição aplicada dentro da instituição. É um pequeno detalhe diante da história inteira, mas daqueles detalhes que a internet costuma misturar porque, aparentemente, fatos também precisam sobreviver ao algoritmo.

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Aos 14 anos, ela pediu a própria emancipação

Durante o tratamento surgiu uma decisão ainda mais incomum: Drew buscaria a emancipação legal dos pais.

Ela conseguiu ser considerada legalmente independente ainda adolescente e passou a organizar a própria vida praticamente sozinha. Segundo Barrymore, profissionais da instituição também avaliavam que retornar à mesma dinâmica familiar poderia prejudicar sua recuperação.

A situação profissional continuou difícil por algum tempo. Aquela menina que poucos anos antes havia participado de um dos maiores sucessos da história do cinema era vista por parte da indústria como uma aposta problemática.

A virada começou no início dos anos 1990.

A volta para Hollywood

Drew retomou espaço com filmes como Poison Ivy e, ao longo daquela década, conseguiu abandonar a condição de ex-atriz mirim para construir uma carreira adulta bastante sólida.

Vieram produções como Batman Eternamente, Pânico, Afinado no Amor, Para Sempre Cinderela e Nunca Fui Beijada. Nos anos seguintes, ela esteve em sucessos comerciais como As Panteras, Como Se Fosse a Primeira Vez e Letra e Música.

Em 1995, Drew Barrymore e Nancy Juvonen criaram a Flower Films. A empresa produziu títulos como Nunca Fui Beijada, As Panteras, Donnie Darko, Como Se Fosse a Primeira Vez e Ele Não Está Tão a Fim de Você.

Drew passou, portanto, de alguém que esperava receber um papel para uma profissional capaz de desenvolver e produzir os próprios projetos.

Ela também dirigiu Whip It, lançado em 2009, e recebeu um Globo de Ouro por sua atuação no filme para televisão Grey Gardens.

De estrela mirim a apresentadora de televisão

Nas últimas décadas, Drew ampliou ainda mais sua atuação profissional. Tornou-se produtora, empresária e apresentadora do The Drew Barrymore Show, lançado em 2020.

Em março de 2026, a CBS Media Ventures anunciou a renovação do programa por mais duas temporadas, garantindo sua continuidade até 2028. A emissora informou ainda que a sexta temporada havia alcançado a maior audiência do programa até então.

Aos 51 anos, Drew Barrymore ocupa uma posição curiosa em Hollywood: a menina que ficou famosa antes de compreender plenamente o que significava ser famosa conseguiu permanecer relevante por mais de quatro décadas.

No meio disso houve dependência química, internação, emancipação, empregos longe das câmeras, banheiros para limpar, portas fechadas e uma carreira reconstruída praticamente do zero. Hoje, seu nome está ligado a filmes que arrecadaram centenas de milhões de dólares, a uma produtora própria e a um programa de televisão renovado por várias temporadas.

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Gabriel Pietro

Gabriel tem 24 anos, mora em Belo Horizonte e trabalha com redação desde 2017. De lá pra cá, já escreveu em blogs de astronomia, mídia positiva, direito, viagens, animais e até moda, com mais de 10 mil textos assinados até aqui.

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