Sentia dores. Pensava que não tinham nome, afinal, nenhum doutor dava jeito nelas. Acordava com a sensação de terem roubado o oxigênio do mundo. A comida? Estranha, todas pareciam ter o mesmo sabor. As cores? Desbotadas, parecendo que faltava tinta no mundo. Seguia assim, como se o coração falasse no lugar da boca, os olhos procurassem lugares de repouso, as mãos não tivessem onde descansar. Os pés? Coitados, pareciam ter vida própria, andavam sem que ela comandasse.
Procurou no silêncio um remédio, tinha medo de sumir dela mesma. Verdade? Mentira? Essas confusões eram diárias, não sabia mais dizer o que era real ou ilusão. Sentia o mundo despovoado.
Pessoas que tiveram dores parecidas receitaram abraçar o entardecer, respirar os ipês na beira da estrada, tomar um café entre as árvores. Receitaram memória, mas para funcionar teria que dar voz ao coração, às lembranças, teria que fazer as pazes com a noite. Para amenizar as dores teria que enxergar nas flores algo maior, muito maior.
(extraído do livro Laços e Lutos / Teresa Gouvea)
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